Setembro em Fotos

Um Setembro quase sem registo fotográfico. Um Setembro, como todos os anos, de águas quentes, dias amenos, e do regresso da calma ao areal. Os dias ganharam novas rotinas. Foi o mês das minhas férias, do delinear de novos projectos e de algumas incertezas. Pelo meio a vontade de chegar aos 55kg, e que, ficou parada até os meados de Outubro.

Nunca desejei tanto que uma época balnear terminasse como a deste ano. Se houve, havia, ou há, crise, não a encontrei. Vi antes um amontoado de gentes ao ponto de me sentir claustrofóbica, restaurantes apinhados, e filas para tudo e mais alguma coisa.

Setembro cheira a aconchego, ainda que os dias de calor não o demonstrassem. É inevitável a vontade de ir para a cozinha e ligar o forno assim que o ano lectivo bate à porta.

Por mim, e talvez porque fiquei farta do Verão, podia viver o ano todo na Primavera e no Outono.

Deixo-vos algumas sugestões do que fiz em Setembro.

Uma boa semana a todos/as aqueles/as que por aqui passam. Sabe bem receber visitas, e, como li há tempos num blog, ninguém cria um blog para escrever para si, pois para isso existe o word. E é verdade. Gosto da vossa companhia, gosto de escrever e gosto de o partilhar convosco. Por vezes o tempo não estica e não se consegue chegar a todo o lado.

Há que dar o nosso melhor, acima de tudo sorrir e tentar ser optimista. Claro que também podemos chorar, alivia a alma e liberta a pressão que os mais diversos factores exercem na nossa mente e nas nossas vidas. Temos 2 caminhos, continuar a chorar, a deprimir, e, deixar-mo-nos vencer, ou, limpar as lágrimas, assoar o nariz, e, dizer a nós mesmos que vamos conseguir. E vamos. E conseguiremos, se acreditarmos e fizermos por isso.

Não nos podemos deixar dominar por esta onda de pessimismo, mais do que normal, que por aí anda. Ergamos a cabeça, e que esta partilha de saberes entre blogs sirva de apoio para continuarmos a colocar comida nas nossas mesas, reciclando e inovando com sabor, sem perder de vista o factor “custo”.

Abraços cheio de boas energias 🙂 para uma semana que se avizinha fria.

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Agosto em Fotos

Agosto. Mês quente e abrasador. Águas frias e os típicos ventos pós almoço. Gente. Gentes. De cá. De lá. Dali. De acolá. Nunca desejei tanto que um mês terminasse como este Agosto. O caos passeava-se pelas ruas. Cheirava a óleos bronzeadores de côco e a protectores solares. Vestia-se de branco e amarelo, o contraste perfeito com os bronzes que se ostentavam. Houve noites frias acompanhadas de casacos e com sabor a Epás, Calipos de Morango e Fizz’s de Limão. Agosto rima com bolas de berlim na praia e chinelos no pé. Unhas coloridas e sandálias de plataforma. Os pêssegos foram a fruta de eleição e os gelados de banana ganharam a batalha contra a máquina de fazer gelados que, este ano, regressa à arrecadação sem qualquer uso. As pizzas foram repetidas algumas vezes bem como algumas das minhas comidas rápidas. Houve tempo para saladas, muitas saladas, e saborear uma mousse de chocolate. Houve tempo para rir, para chorar, para perder a paciência mas também para ganhá-la. Fez-se a primeira viagem de passeio de verdade com saldo positivo. Descobri que uma das minhas filhas tem um sentido de moda na praia impressionante, chupetas… eu estou a tentar que deixem o vício mas não estamos a conseguir. Bem, visto daqui, e agora que já estamos em Setembro, até parece que Agosto passou rápido. Com tudo isto aprendi que é urgente planear melhor o nosso mês de Agosto ou vou ganhar mais cabelos brancos enquanto estou na fila para comprar pão.

Setembro…

Por aqui, as férias caminham para o fim. E, afinal, estão a terminar mais depressa do que eu suspeitava. É sempre assim, queremos que o tempo passe e depois quando passa… simplesmente passou, não volta mais. Por isso, nada melhor que aproveitar a calma trazida por Setembro, as águas quentes que os banhistas de Agosto não tiveram, o vento que agora não sopra, os lugares que já vou tendo para estacionar, os dias de 27º graus e noites de 23º. E, sobretudo, aproveitar o fim de mais uma etapa para as 3 e avistar um novo recomeço, para elas e para mim.

Olhos que Comem

Nos meus anos recebi de presente um prato diferente, lindo em minha opinião. Pelo embrulho e pela marca no verso foi comprado na loja SPAL. Quando a M. mo ofereceu disse que era um prato para bolo. Estreei-o com o meu bolo de aniversário, um delicioso bolo de chocolate, e, desde então  tenho-o utilizado para servir de tudo um pouco, excepto bolos. Na última utilização usei-o para servir os legumes e a salada de tomate que acompanharam um peixe espada grelhado. Os ingredientes são do mais simples que pode haver e são conhecidos da nossa praça. O efeito conseguido ficou tão bonito que achei que merecia um post. Afinal os olhos comem, e, a barriga agradece um prato assim, simples e cheio de sabor. Obrigado M.

Viagem… A Estreia

Primeira viagem de passeio com elas. Acordei cedo. Abri a janela e o cheiro a terra molhada entrou pela casa trazendo consigo alguma humidade. Que bom, pensei, chuva. Estava nervosa, melhor, ansiosa por chegar. A maior parte da viagem foi debaixo de chuva, perfeito para refrescar. À medida que avançava na estrada as nuvens ficavam para trás e o céu azul vinha ter comigo. E, depois o sol. Brilhante, quente. Chegamos a Lisboa. No ar uma brisa fresca com cheiro a rio e a mar. Almoçamos, ainda que sem muita vontade, afinal queria começar o passeio. Seguiu-se uma visita aos Jerónimos e uma sessão para crianças no Planetário. Gostei muito da sessão, que, afinal, também ensina adultos. Finalmente percebi porque de 4 em 4 anos temos mais 1 dia em Fevereiro. Vejamos, a terra demora 365dias e 6h a dar a volta completa, o que, significa que 6h*4anos=24h, ou seja, de 4 em 4 anos, temos 1 dia a mais e faz-se o acerto no mês de Fevereiro. Tão simples… E eu tão longe do óbvio. E gostei dos planetas, e de ver as estrelas, e as constelações, e gostei de aprender de que são feitos os anéis de Saturno, e de saber que Plutão só mudou de bairro. E o primeiro dia, aliás, a tarde voou.

No segundo dia rumamos à Pena em Sintra, é sempre bom voltar. Gosto do ar que se respira. Desta vez havia algo novo para ver, um chalet que está a ser restaurado e que pertencia à Condessa de Edla. À tarde uma visita ao Chiado e ao Terreiro do Paço. Enquanto desciamos o Chiado houve ainda tempo para recordar Os Maias quando vimos o Teatro Nacional de S. Carlos. Houve tempo para imaginar Ega e Carlos ali naquelas mesmas ruas. Houve direito a viagem experimental de metro, e, apesar dos entraves arquitectónicos, resolveu-se o problema com carrinhos debaixo do braço, e, mesmo assim houve quem quisesse repetir.

Na manhã do 3º dia fomos ver o Oceanário, uma estreia absoluta para as 3. Pelo meio e em modo de corrida encontrei a Carla. Pena que os miúdos não estavam a nosso favor. Um passeio no teleférico fechou a manhã. Pela tarde, já sem a minha parceira de aventuras, a minha irmã, um calor daqueles e resolvi ir ao sítio menos histórico que pode haver, o Ikea. Pois bem, nervos à flôr da pele, final do dia, crianças cansadas, pilhas de loiça e copos em pequenas ilhas, e, entre corridas pela loja e saltos em camas de exposição, consegui sair de lá viva e sem partirmos nada.

No sábado a manhã passou-se no Jardim Zoológico. O passeio terminou onde começou, em Belém. Depois do almoço fizemo-nos à estrada e enquanto se fazia a sesta a viagem correu da melhor forma possível.

Na semana seguinte andei com um mau humor que nem vos conto. A última vez que tinha saido em passeio ainda andava na universidade e foram 2 dias fabulosos pelo centro do país. E gosto. Gosto muito de viagens assim, cheias de aventura, cheias de pequenos nadas, recheadas de cansaço.Cada caminhada é um convite a esquecer as dores nos braços de empurrar carrinhos, esquecer o xixi que alguém não avisou, esquecer o sol que teima em aquecer, esquecer as gotas de suor enquanto se carregam 2 carrinhos pelas escadas do metro. E, é sobretudo um incentivo para repetir, com ou sem companhia, afinal, para quem tem filhos e poucas ajudas, a opção é mesmo ir, experimentar.

Se tinha sido mais divertido ir sem elas? Claro que não. Venham de lá mais dias destes.

Vidas e o Meu Amor de Verão

Há 2 dias esteve um calor daqueles insuportável. Noites de 28ºc sem rasto de vento. Noites em que as pessoas saiem à rua, e, exibem o seu novo tom de pele, há vermelho e dourado, infelizmente cada vez mais vermelho. Semanas cheias de dias e noites onde as ruas se enchem de veraneantes.

Saio à rua, ainda que com pouca vontade. É noite. O ar cheira a peixe grelhado, a óleos bronzeadores e a protector solar. Os artistas de rua vestem o seu melhor traje e exibem o respectivo cartaz da pedincha. Já usam fotos das moedas que pretendem, e, não menos de 0,50€ sob o pretexto de uma conversa fiada qualquer ou até de uma mensagem vinda do além com os números do euromilhões. Evolução dos tempos. As miúdas encantam-se com os palhaços que fazem balões e ficam pasmadas a ver um Sherk de verdade. Observo os transeuntes. Os mais jovens, vestidos a rigor, cheios de adereços de combinação duvidosa. Há chapeús, óculos escuros, claros, amarelos, cachecóis, botas com vestidos, vestidos bem curtos e sapatos bem altos, com salto agulha de 15cm, de verniz, de cores vivas. Constato com alguma inveja, que, o rosto das mais jovens se encontra perfeitamente pintado, de tal forma que a cabeça podia ter sido retirada de um manequim de uma loja de roupa.

As lojas estão abertas junto à avenida que me separa da praia e questiono-me se dará para o gasto. Dou a volta pela parte onde estão os bares com vista para a praia e continuo o meu passeio. Debruço-me no muro pintado a vermelho e gasto pelo sol. Olho a passadeira de madeira. Está escura. Faltam algumas lâmpadas que não foram substituídas e outras tantas vandalizadas. No parque infantil, horas antes cheio de crianças, reina o silêncio, e, apenas uma ou outra gaivota por lá se passeiam. Ao fundo consigo aperceber-me da movimentação junto ao local mais falado deste Verão, e dos outros,  no barlavento algarvio. A falta de iluminção cria sombras e transforma-o num local digno de filmes de suspense. Continuo o meu passeio. Aliás, continuamos. Empurro o carrinho enquanto oiço em inglês e português as observações comuns por serem duas. Mais à frente subimos um pedaço de rua com calçada. Há minha direita um hotel restaurado recentemente, e que, segundo sei, é o mais antigo da cidade. As miúdas adoram o espaço, parece um castelo. Apesar de ter cara lavada foi mantida a traça original. As molduras das janelas lembram uma mistura do estilo gótico com o árabe, lembrando-nos que Marrocos fica do outro lado do mar. Sigo caminho e olho de relance para as pessoas que se detêm junto à entrada de um hotel onde há um bailarico. Ali estão, coladas aos vidros, e, a observar os clientes que se encaixam aos pares para uma valsa.

Ando mais um pouco e retorno pelo mesmo caminho cheio das mesmas, e de outras, pessoas. Reparo naquele homem de tez escura, marroquino talvez, sentado num banco e com aqueles cães a pilhas à sua frente para vender. O seu rosto não me parece alegre, e o contraste com os sorrisos de quem passa é notório. Vidas. Mesmo à minha frente está um grupo de jovens, entre os 17 e os 20 anos talvez, com indumentárias de festa patrocinadas por uma dessas bebidas da moda. Estão vestidas de cinza e preto, saias bem curtas e uma espécie de chapéu a imitar um lobo com uma cauda comprida que desce pelas costas até à cintura. O tamanho reduzido das suas indumentárias é motivo de concentração de meia dúzia de rapazes que as contemplam cheios de sorrisos marotos.

Há música no ar e a cada passo há quem me tente convencer a comprar, a entrar para jantar, ou a beber uma bebida milagrosa que promete boa disposição para o resto da noite. O passeio está quase a terminar e eu já sonho com o mês de Setembro e Outubro. Julho e Agosto só me apetece fugir para de onde vieram os outros, e vou. E, quando este post for publicado já por lá estarei, de bolsos mais vazios mais de alma mais cheia. Será por pouco tempo mas sei que a terei só para mim. Por mim este Verão pode fazer as malas e ir andando para longe. Gosto mais do Verão ameno, dos 25ºc de dia e dos 18ºc à noite em que o aconchego da casaco e do lençol sabem bem.

Chego a casa. Descalço-me. Arrumo as sandálias. Lavo as mãos. Lavamos as mãos e os dentes. Apesar do calor faço o meu chá. Coloco-lhes a fralda e vão dormir. Desço as escadas e durante uns breves 10m ainda oiço os seus risos e brincadeiras que antecedem o sono. Faz-se silêncio. Toco na chávena e lembra-me que o chá ainda está muito quente. Sento-me, desfruto do meu silêncio e olho para o meu amor de Verão cheia de saudades e a pensar no próximo. Havia 3 anos que não lia. Esperei por ele. Foram 2 dias de leitura intensa num amor sem fim. Ainda que não haja amor como o primeiro, A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón, O Prisioneiro do Céu conseguiu prender-me uma vez mais como só este escritor o sabe fazer. E li a última página.  E fiquei claramente com um gosto de quero mais. Quero saber que fará Daniel Sempere agora que tem na mão um papel valioso.

Conta-me Como Foi… Julho

E assim me dou conta de como os meses têm passado rápido, ou talvez não. Julho é sem dúvida rei dos aniversários. 3 nos últimos 11 do mês, incluindo o meu. Para comemorar um dia nunca antes apreciado fiz um bolo de chocolate, decadente, simplesmente chocolate. Fiz as pazes com o mundo e sobretudo comigo, e, isso reflectiu-me na minha maneira de estar, de pensar, de agir e até na balança. A minha mente e o meu corpo têm agradecido e a minha alma também, sinto-me infinitamente melhor. Continuo a incluir os batidos na minha alimentação e fiz um crumble de tomate que já foi repetido vezes sem conta de tão bom que é. Houve ainda tempo para passeios a 4, muitos banhos, chinelos poeirentos e areia para limpar. As minhas companheiras de sempre, as minhas sapatilhas, sucumbiram ao desgaste, mas pedi como prenda de aniversário umas outras que me fazem voar. Houve as peripécias do costume que nascem entre seres que já cá estão e outros que procuram um lugar. Houve nervos à flôr da pele, choros, mas também alegrias. A amizade também teve lugar neste meu mês e mostrou-me que neste mundo das novas tecnologias nem tudo é mau se ambas as partes agirem de forma sincera.

 Novos desafios se avizinham e eu só espero estar à altura de os enfrentar. Um obrigado a quem por aqui passa.

Conversa de Casa-de-Banho

Não páro de me surpreender com a simpatia, das muitas alminhas que habitam este lugar à beira mar plantado agindo na base da “chica esperta” e que me proporcionam momentos hilariantes que merecem ser partilhados. Não sou uma pilha de inteligência mas tenho ganho muito bom senso desde que me tornei mãe, e, este é um discurso de mãe para mãe numa casa-de-banho pública.

Uma das minhas crias adverte-me que tem xixi enquanto come o gelado. Como mãe dedicada 🙂 e sabendo de uma casa-de-banho pública nas imediações vamos até lá. Existem 3 portas, duas claramente fechadas e uma entreaberta sem sinais de ninguém lá dentro. Ainda assim, abro-a com cuidado, pois nunca se sabe o que fica dentro das sanitas destes sítios, e, sinto a porta bater, LEVEMENTE, em alguém, que, a julgar pela altura já deveria ter uns 7-8 anos.

De imediato peço “perdão” e digo: não me apercebi que estava aqui alguém – isto enquanto aguardo que a cria saia.

Resposta, seca e com tom protector, da mãe que aguardava a sua cria com outra junto ao lavatório: Bate-se à porta. O ar ficou mais pesado, devia ser do sueste que trouxe humidade e enferruja.

Eu: Mas a porta estava aberta…

Do outro lado o ar fica mais agreste e parvo: Pois… talvez seja porque está uma criança lá dentro e convém estar aberta não é?

Eu: Pois… mas eu não sou bruxa para adivinhar e a porta estava aberta.

Do outro lado: mas se bater à porta… – Ler com tom ameaçador dado que a cria fracturou duas costelas e ainda raspou os cotovelos

A cria sai e eu entro com a minha e penso Shame on You, Shame on Me, a perder tempo e gastar saliva com pessoas assim. Mas porque raio a senhora me deixa avançar para a porta aberta sabendo que está ocupada.

Quando as minhas crias têm que ir à casa-de-banho vamos as 3 lá para dentro. Assim evito que elas cheguem aos 7 anos, entrem sozinhas e caim de pés numa sanita e partam os tornozelos.  Venha de lá esse Outono, já já já, que já estou farta de malta azeda, irraaaaa.

Por hoje é assim. Um post sem receita ou sugestão, a não ser a Sugestão do Bom Senso com uma Pitada de Civismo. Eu vou ali terminar umas tarefas agendadas que a mente e as mãos ocupadas fazem bem à alma e ao corpo.

Uma boa semana a todos/as.

Conta-me Como Foi… Junho

O mês de Junho marca o início do Verão, se bem que este ano chegou meio tímido e eu chego atrasada no meu Conta-me Como Foi. Fazer estes posts tem sido divertido, e, bastante introspectivo, pois permite-me sempre fazer uma retrospectiva sobre o que fiz, como e porque. Temos tido um Verão Primaveril com contornos Outonais que convida a passeios ao ar livre, e,  por entre pedaços rasgados de mar ou por florestas mágicas adentro, o tempo tem sido perfeito para momentos em família. Ainda assim, a Natureza brinda-nos com cores próprias da estação e as saladas não têm faltado na minha mesa. Os batidos entraram em força na minha alimentação, e, mesmo não gostando de bananas, o batido de banana é o meu preferido. Repensei toda a minha alimentação, e, mudei para melhor e novos ingredientes passaram a a fazer parte desta nova forma de estar e comer, e, tem-se revelado uma supresa muito saborosa e saudável.  Os banhos foram tímidos e marcados por águas frias. Quebrei a barreira dos 60kg e tenho-me mantido longe dela. Há dias alguém escreveu: ” Hoje em dia não me permito a ultrapassar mais de 3kg de excesso, este é o meu limite.”

Agora vou-me ausentar mais um bocadinho que tenho um bolo de chocolate para fazer. Há um aniversário cá em casa e alguém vai pecar. Desculpem a minha ausência nas vossas cozinhas, mas só falta mais um bocadinho. Obrigado por continuarem desse lado.

Reeducar-ME

Não tenho passado fome, e, sempre que assim o entendo, e, usando a regra do bom senso, como mousse de chocolate ou uma fatia de pizza sem qualquer sentimento de culpa. Podia evocar inúmeros motivos para a minha engorda, mas, o único motivo sou eu. Não vale culpar mais ninguém quando sabemos qual o foco do problema. Há antes que resolvê-lo, se tivermos vontade é claro. Dando 1 passo de cada vez, desde que tomei a decisão de mudar este aspecto da minha vida, o peso, há pouco mais de 2meses, já perdi 8kg, com os meus conhecimentos, a minha força de vontade, e, 2 crianças para cuidar 14h a 16h por dia. Impossível? Não, é POSSÍVEL e por isso partilho um pouco da minha experiência na esperança que a mensagem passe para esse lado e possa ser uma motivação positiva.

Levar as crianças a passear em centros comerciais pode parecer in mas cansam-se depressa de algo que não tem interesse para elas. Ao invés disso, uma bicicleta, quando já têm idade, 3 anos pareceu-me bem, e, muito incentivo formam uma dupla perfeita. As crianças precisam de gastar energias e por norma adoram andar de bicicleta. Escolher um sítio adequado para elas andarem e traçar um plano alimentar, saudável e cuidado, exercícios, e, um objectivo. O processo é mais lento que um ginásio é certo, afinal não se está concentrada apenas na velocidade de uma elíptica ou no número de séries que se fazem nas máquinas de pesos. O maior e melhor incentivo dos nossos objectivos devemos ser nós próprios, só assim as coisas funcionam. É o fazer para mim e por mim que marcam a diferença. Aprender a olhar ao espelho e a valorizar-mo-nos independentemente do peso é a regra nº1.

Ser mãe a tempo inteiro é bom, é mau, é assim assim e há dias que me apetece desaparecer. É muito fácil haver deslizes, e, é muito fácil cair na tentação de nos anularmos como mulher. Para mim, é ponto assente, que, eu anular-me Não. Faço tudo o que puder pelas minhas filhas, mas, só pensando um pouco em mim consigo dar o meu melhor e estar a 100% para elas. Se pode soar a egoísmo? Pois pode. Mas desde sempre quis que elas percebessem que se um dia cedo eu outro dia cedem elas. Por isso, e, apesar de gostarem de andar de bicicleta é óbvio que preferem ir a banhos com este calor, mesmo que ele nem sempre apareça. Entramos em negociações. Banhos pela manhã e bicicleta ao final do dia, leia-se eu fazer o meu exercício, que, me alivia sobretudo a mente. E, quando a negociação falha entra em acção o chamado reforço positivo, “se forem com a mãe tomam banho sozinhas”. Um obejctivo que alcançamos no mês passado e do qual elas já não abdicam, a sua independência para tomarem banho sozinhas, à vez, e sob a minha supervisão. Chamem-lhe o que quiserem mas estou convicta que, a elas, como futuras mulheres, é um bom exemplo que lhes dou.

1 passo de cada vez, e, pela manhã, aveia com fruta fresca é o melhor passo para começar bem o dia. E não, não passo fome. O segredo, que não é segredo, é mesmo comer várias vezes ao dia. Generosas porções de verduras e sempre um pouco de proteína animal, dando prefrência ao peixe. Comer menos daquilo que antes se comia mais e entre refeições fruta ou amêndoas. Água e chá verde são essenciais, para manter o corpo hidratado. Sempre que possível caminhar, correr atrás das nuvens, do ventos, dos filhos, mas sobretudo correr atrás dos nossos obejctivos, não desistir é a palavra de ordem.

No fundo todas/os sabemos bem como fazer as coisas da forma correcta, mas pelas mais variadas razões nem sempre as fazemos. Cabe a cada um de nós saber quais os seus limites e objectivos.

Eu, quis e quero fazer as coisas bem porque:

  1. Quero olhar ao espelho e gostar do que vejo, e, este é mesmo o motivo número 1. Se eu não gostar de mim…
  2. Quero ser um bom exemplo para as minhas filhas. Quero que cheguem à adolescência e não fujam de mim na rua, ou, porque sou um atentado à moda ou porque estou fora de forma. Quem nunca sentiu vergonha dos pais em algum momento da sua adolescência que levante o dedo, eu, só quero minimizar o risco.
  3. Quero viver mais e melhor por elas e para elas, e, um dia mais tarde, para os meus netos. (parece a conversa de quem já tem 50 anos  🙂 )

Se alguém quiser saber mais algumas informações ou apenas trocar impressões sobre o tema podem enviar-me um e-mail para o saborezcomhistoria@gmail.com que responderei com todo o gosto. Este post dava pano para mangas, por isso, irei abordando o tema ao longo do tempo.

Obrigado a todos/as que por aqui passam e até já.

Cheers Carlinha. You Can Do It

A Carlinha é uma menina muito querida. Não conheço ninguém que não goste dela, ou, pelo menos, que o mostre. Foi ela que me incitou a explorar a minha máquina fotográfica depois de nos ter tirado umas fotos na Páscoa. Tenho passado horas em experiências a ler sobre o assunto, e, também, o manual de instrucções da máquina. Estou longe, muito longe do belíssimo trabalho que faz a sua amiga B. E porque eu sei que tu vais conseguir, um brinde com sumo de laranjas, docinhas, de Silves, assim o dizia a placa da banca, ao teu sucesso e ao teu estágio. Espero por ti para me ensinares. Até lá vou treinando.

Uma Mulher Atrapalhada é Pior do Que…

Diz o ditado que Uma Mulher Atrapalhada é Pior que Um Homem Bêbado. Como não gosto de me atrapalhar prefiro beber um copo de vinho, e, é certo que acabe a dorimir no sofá 🙂  Há tempos achei que podiamos ir todos -leia-se as 3 mulheres- andar de bicicleta, e que, ia ser engraçado. Achei muito bem. Tenho um marido muito prestável, e, nervoso também, que se ofereceu de imediato para carregar 3 bicicletas e colocá-las na mala do carro. Perante os sopros e ranger de dentes achei melhor nem sequer oferecer ajuda, afinal, destas coisas percebem os homens e nem tentemos ferir-lhes a sua masculinidade. Apesar de não ter um autocarro, na minha mente, com calma, e, apenas com um Pouco de jeito, cabia tudinho na mala do carro. A coisa passou-se até que um dia achei que tinha que fazer o que sabia ser possível. Foi tão fácil mas tão fácil, que, fiquei a achar porque dizem que as mulheres são complicadas. Não tive ataques de sopro, demorei menos tempo e coube tudo. Lá fomos nós. Foi divertido, muito divertido. Já repetimos muitas mais vezes. Só me falta comprar um apito, sim, um apito. Uma vai no pelotão da frente, e, com a outra faço de carro vassoura, daqueles que dão apoio moral a quem gosta de apreciar a paisagem. No meio disto acabo por andar aos gritos contra o vento. A menina camisola amarela não ouve nada e os animais que por ali habitam ainda fazem queixa de mim. Uma coisa vos garanto perdem umas calorias* de uma forma saudável e divertida. Ah, mas também é bom terem umas pastilhas para a rouquidão em casa.

*Também uso o método meninas pedalem que eu corro. São 45m fantásticos em que o relógio me diz 350Kcal gastas. E desse lado? Qual o método caseiro para tentar entrar na linha?

Felizes para Sempre aos 3 Anos

Do rosa da tua blusa e do branco da tua inocência, acordaste, e, disseste-me:

-Mãe, eu quero casar contigo e com o Pai para fazermos o felizes para sempre.

Eu, respondi-te que as meninas casam com os Príncipes, e tu, de imediato me pediste um. Disse-te que o teu Príncipe um dia te viria buscar, ao que respondeste com um ar triste:

-Mãe… então ele foi andar de barco com a Cinderela… – ler com ar de quem foi trocada.

-Sim, foi, mas ele volta, não faz mal.

Dizes-me um “está bem” e vamos tomar o pequeno-almoço. Batido de morango, banana, iogurte e leite.

Estás a crescer. Já me falas em casamento. Sinto que fiquei com mais uns cabelos brancos.

-Anda, vamos ao mercado comprar mais morangos. Afinal, nós mulheres, fazemos compras para aliviar o stress 😉

Uma Viagem no Tempo Quente

Ontem a noite estava quente, muito quente, 20ºC. Eram 9 da noite e saímos para irmos ao Ecoponto. Cheirava a Verão e demos uma pequena volta pelo bairro. As árvores outrora despidas de cor estavam agora cheias de folhas verdejantes. Os canteiros estão cheios de flores, cheiros e cores. Senti o cheiro a terra acaba de regar e voei para bem longe. Inspirei novamente o ar quente e sinto que tenho 10 anos. Uso o meu vestido preferido do Verão, branco, de alças que atavam com lacinhos em cima dos ombros, e, com uma fita rosa aos quadrados muito fina por debaixo do peito. Era o meu vestido de princesa. Sob o olhar atento da minha avó brinco na rua, mas, não estou sozinha. É noite, e, depois do jantar velhos e novos saem para a rua. Trazem cadeiras e pequenos bancos de madeira, forrados com linóleo e preso com tachas douradas dos lados. Nós os mais pequenos sentamo-nos nas escadas, nos beirais das portas, e, escutamos o tanto que aquelas senhoras já crescidas têm para contar. Histórias de vidas, com vidas, sobre o tempo, os campos semeados, os animais, a fonte, as bruxas, as festas, as comidas, o fumeiro, a missa. Fecho os olhos, expiro o ar quente, e, com muita pena minha os beirais das portas estão vazios. Demos a volta e regressamos a casa. Eu, senti umas saudades enormes desse tempo cheio de histórias com sabores e saberes.

E porque o calor pede comidas mais leves e frescas deixo a sugestão de uma simples salada feita com produtos locais. A senhora da banca disse-me com toda a honestidade que os tomates ainda são de estufa, os outros ainda estão verdes, mas rematou: “já são muito saborosos”. Pois são. E, sumarentos. Pepino e queijo fresco picados. Tudo envolvido em muitos oregãos bem perfumados e um fio de azeite.

Bom fim-de-semana.

A Sereia que Não há em Mim

Uma foto onde quase se consegue ouvir o silêncio, bem diferente do barulho que está para vir nos próximos meses. Ontem foi dia de banho da cabeça aos pés. A água ainda está fria, mas, segundo dizem, vai aquecer sob a influência dos ventos que vêm dos lados de Marrocos.

E, sem pensar muito, despi-me e tirei o mofo ao biquini. Podia estar melhor, podia estar pior. Mas, apesar de gostar muito de praia as sereias nunca foram a minha onda. O tempo tem-me ensinado a ver melhor o lado positivo de cada momento. Hoje aprendi que mais importante que a forma como os outros me olham, é a forma como elas me olham. E, vê-las sorrir, dar gargalhadas porque simplesmente me despi, de roupa e preconceitos, e, corremos e brincamos pela praia, é uma sensação muito boa. Mas, de qualquer forma, e, só para não perder de vista o meu objectivo, vou usando um pouco da serenidade que vai chegando até mim com o tempo e me ensina a ser mais tolerante comigo. O ar cheira a Verão, os dias estão maiores, e, eu perdi bastante apetite e só me apetece beber muita água. Resumindo, espero perder peso e apreciar ainda mais o meu biquini e o nosso Verão. Afinal, mesmo sendo mãe continuo a ser mulher, a gostar de vestidos, de malas, de pulseiras, de sandálias, de chinelos, de brincos, de vernizes, enfim, se puder usar tudo o que o Verão pede estando um pouco mais elegante melhor 😉

Tarte de Morangos e Leite Creme

Deliciosamente rápida de fazer. Rápida de comer, e, o sucesso desta simplicidade vem dos ingrdientes simples, misturas de sabores clássicos numa base crocante… Deve servir-se bem fresca e comer cada garfada de olhos fechados para não perder pitada de sabor.

Ingredientes para a massa: 300gr de farinha, 150gr de manteiga, 50gr de açúcar em pó, 2 gemas, 20gr de leite – Receita Bimby sem Bimby – dá para duas bases com cerca de 24cm.

Misturar a farinha com o açúcar e abrir uma cova ao centro. Juntar a manteiga partida em pedaços. Com as mãos misturar tudo muito bem até obter uma espécie de farinha areada. Por fim juntar o leite e as gemas. Amassar bem até obter uma massa lisa e que não se cole às mãos. Estender com o rolo e forrar uma tarteira. Picar o fundo com um garfo,  e, levar ao forno até estar dourada. Deixar arrefecer.

Recheio: 1 L de leite, 100gr de açúcar, 65gr de farinha Maizena, 6 gemas ovos, 2 cascas de limão, 3 folhas de gelatina

Colocar ao fogo 900ml de leite com as cascas de limão em lume baixo. Numa tacinha misturar a farinha e metade do açúcar. Adicionar aos poucos os 100ml de leite mexendo sempre de modo a não ficar com grumos. Juntar a mistura ao leite quente mexendo sempre até começar a engrossar.Num recipiente alto e largo bater as gemas com o restante açúcar até obter uma mistura bem clarinha. Assim que a mistura da farinha começar a engorssar retirar do lume e adicionar em fio às gemas mexendo sempre com uma vara de arames para não talharem – ficarem ovos mexidos. Levar a mistura novamente ao lume para engrossar mais um pouco mas não deixar ferver. Deixar arrefecer um pouco e juntar as 2 folhas de gelatina previamente demolhadas em água fria durante cerca de 5m.  Deixar arrefecer completamente e rechear a base da tarte. Vai ao frigorífico pelo menos 6h para firmar. Eu deixei a noite toda. Por fim decorar a gosto com morangos e pincelar com um pouco de mel previamente aquecido no microondas.

Do Dia da Mãe

Sou mãe desde que nasceram as minhas filhas. A partir desse dia, embora ainda estivesse atordoada da anestesia, iria ter dias da mãe para o resto da minha vida numa prop0rção de 365 ou 366 dias por ano. Todos os dias tento ser melhor, aperfeiçoar o meu papel.

Ser mãe é não dormir o sono da beleza, mas, ter filhas que me dizem que sou linda quando acordo.
Ser mãe é ter uns quilinhos a mais, e, ter filhas que me dizem “nós vamos nadar e a mãe vai correr”, gostam de me incentivar 🙂
Ser mãe é vestir aquela roupa que já fica apertada, encolher a barriga, e, as minhas filhas, dizerem que estou “fashion”.
Ser mãe é tonar-se Zen. Aprende-se a respirar correctamente entre ataques de fúria e birras das crianças.
Ser mãe é perder audição quando a lista dos porquês começa a ficar extensa.
Ser mãe é como ser a irmã mais nova do Indiana Jones, pois, quando mudamos uma fralda, nunca sabemos ao certo tudo o que vai acontecer.
Ser mãe torna-nos camaleão. A visão periférica é excepcional.
Ser mãe torna-nos videntes. Passo o dia a dizer “tu vais cair, vais-te aleijar” e ainda remato com “eu avisei”.
Ser mãe é ser ginasta. Farto-me de esticar para chegar ao canto do fundo do sofá para apanhar as bolas.
Ser mãe é ser-se analgésico. O beijinho mágico da mãe cura tudo.
Ser mãe é ser almofada psicológica com braços. Não poderei evitar todas as quedas que possam dar mas terei sempre os braços abertos prontos a ajudar a levantarem-se.

Ser mãe, ser mulher, são uma coisa fantástica. Dá trabalho? Dá. Custa? Custa. Sofre-se? Claro. Quem pensa que sabe tudo está engando. Ninguém nasce mãe, por mim falo. Estou a aprender a ser. Enquanto mãe sei que a vida me vai encarregar de ensinar a arte de o ser. Afinal, ser mãe é crescer no tempo, com o tempo, e, sempre respeitando, que, os outros seres, os nossos filhos, também crescem.

Um amigo disse-me há muito anos atrás que “se a vida fosse fácil ninguém nascia a chorar”. É verdade. Mas, também é verdade que é muito simples fazer uma Mãe sorrir.

Voltarei mais tarde para espreitar as vossas cozinhas.

1º Banho do Ano com Maçãs

Tudo começa com a mesma frase: “É só os pés!”. Mas, rapidamente os pés passaram a pernas, calças ao sol, t-shirts molhadas, baldas de água e muitas gargalhadas. Por fim já só haviam cuecas, ainda que molhadas, banhos até ao pescoço, areia, muita areia, e, um sol que chamava por nós e convidava a banhos de sol e mar. A água estava calma e cristalina. Eu, deixei-me ficar, fiquei sentada a observar, e, a comprovar, mais uma vez, que é preciso muito pouco para termos crianças felizes.

Enquanto ouvia os risos já sabia o que ia ser a sobremesa para o almoço.

Num ritual já conhecido pelas mais pequenas, pedem-me sempre para ajudar, e, eu deixo. Lavamos, eu desencaroço, e, elas colocam uma colher de sopa de canela e açúcar em cada maçã. De seguida rego cada uma com um pouco de vinho do Porto e coloco no forno previamente aquecido a 200ºC durante 15m. Depois desligo o forno e deixo ficar dentro até à hora de servir. Durante todo este tempo tenho 2 técnicas a vigiar as maçãs que me vão perguntando quando podem comer.  É sempre assim, num ritual sempre igual, em que se deliciam com maçãs assadas, por norma 2 cada uma. Eu, espero que o vinho do Porto dê a sua ajuda na hora de fazer a sesta.

Bom feriado.

Comer Tagliatelle… Com Truque

Com o passar do tempo vai-se fazendo luz em algumas das minhas acções do dia-a-dia. Recentemente fiz uma descoberta. Para mim, uma grande descoberta. Há medida que crescemos vamos partilhando cada vez mais daquilo que há na mesa. Até agora, comer esparguete  era sinónimo passar alguns minutos a partir cada pedaço, em vários pedaços, para depois então cozinhar. Digamos que, houve também, a nossa fase de voltar à infância, e, comer tudo partido ao centímetro. Já tinha desistido de comer tagliatelle pois partir os ninhos em pedaços não fazia sentido. Fez-se então luz. Cozi habitualmente, água e sal, e, depois de cozida com uma tesoura cortei em pedaços para quem ainda não consegue enrolar no garfo. Foi como um renascer das cinzas 🙂 . Há para todos os gostos, e, apenas com um gesto tão simples.

A Descoberta e A Simplicidade de Um Pedido

Sou da geração que cresceu na rua, felizmente não tive que passar por infantários nem creches, não que seja melhor por isso, mas, para mim, sinto que pude fazer coisas mais divertidas do que passar os dias fechados entre 4 paredes. Verdade seja dita, na vila, poucos eram os que andavam em creches ou infantários. Nesse tempo havia o que hoje já há muito pouco, pessoas que mudaram gerações, que cuidaram delas, lhes deram de comer, lhes deram colo, as Avós. E, eu, tive a felicidade de poder viver a minha infância junto da minha. Afinal a comida delas é a melhor do mundo e quando chegamos da escola há sempre o lanche à nossa espera preparado com todo o carinho da avó. Nesse tempo, podia jogar ao berlinde toda a tarde. Saltar ao elástico, levar as minhas bonecas a passear, podia ir com as minhas amigas descobrir um buraco nas traseiras do adro da igreja, e, achar que era a passagem secreta para um castelo. Naquele tempo vivia cada aventura de forma tão intensa, que, excepto os cozinhados que sabia serem a brincar, tudo se encaixava perfeitamente na realidade. Nunca brinquei às princesas, preferia vestir o ar de exploradora, de arqueóloga. Munida de pás e baldes achava que podia descobrir o mundo, e, descobri, o meu mundo fantástico de aventuras de criança, onde, trepava árvores, e, coleccionava nódoas roxas de quando aprendi a andar de bicicleta. Colhi ervas e com elas fazia cuidadosamente caldo verde num fogão de plástico branco bem pequenino. Os tachinhos eram de alumínio, e, uma verdadeira preciosidade nos meus primeiros passos na cozinha. Fazia bolos de terra molhada, que, saiam perfeitinhos de uma forma plástica cheia de cores.

De certa forma sinto pena que as minhas filhas não saibam o que isso é, mas, sabem outras coisas que eu com a idade delas não fazia ideia. É bom crescer, é bom evoluir, mas, também é bom podermos fazer coisas simples com as crianças. Apesar de a praia ter as suas virtudes, continuo a achar a montanha um local fantástico para exprimir emoções e respirar ar puro.

Sempre me ensinaram que não se brinca com pedras, mas, hoje, abri excepções. Bastou que uma pegasse numa pequena pedra e descobrisse o plup que fazia ao atirá-la para a água. O que se seguiu foram gargalhadas contagiantes a cada pedra atirada para a água.  Deve ter sido dos momentos com gargalhadas mais poderosas que me lembro, só ultrapassado pelas sessões de cócegas. É tão simples as crianças serem felizes com tão pouco.

Há medida que nos vamos tornando adultos por vezes esquecemo-nos de coisas simples, tornamo-nos demasiado sérios com medo de dar uma simples gargalhada, contemos emoções, e, as crianças ensinam-nos a encontrar o meio termo, ter filhos é, de facto, uma coisa fabulosa. E, quando estamos demasiado concentrados a cozinhar há uma vozinha de fundo que diz: “eu só quero massinha”. Respondo: “massinha com quê?” e então oiço: “pode ser com fiambre?”. Claro que sim, claro que pode. Uma resposta simples de quem já sabe o que quer.