Uma Casa Portuguesa…

IMG_1266

Com certeza que sim. Que é. Por isso o arroz de feijão cresceu comigo e não o dispenso. Porque as minhas memórias do arroz de feijão são do tempo em que a minha avó fritava fanecas para o acompanhar. Mas, porque a avó não está mais e a mãe perpetuou no tempo o arroz de feijão, na minha casa continua a comer-se. Todos gostam e pedem. E feito com feijão cozido em casa ainda sabe melhor.

Cozer feijão em casa é fácil, barato e o sabor, esse, é muito melhor.

Por norma escolho feijão manteiga ou vermelho, mas há tipos de feijão para todos os gostos. Mercearias de bairro ou nos mercados são óptimos locais para se encontrar.

Coloco o feijão num alguidar e cubro com água. Fica a demolhar a noite toda. No dia seguinte coloco na panela de pressão o feijão escorrido, junto uma folha de louro, alhos esmagados e água limpa. Fecho a panela em pressão e coze 25m.

E é só isto. Pode congelar-se, ou, então, se for em quantidade apenas para a semana, guardar em caixa fechada no frigorífico, que, depois, pode ser usado ao longo da semana em sopas, arroz ou massas.

Anúncios

Mini Crepes e Maxi Responsabilidade

Os dias vestem-se da cor que lhes apetece. Da janela vejo as nuvens altas, brancas e cinzentas. Desenham almofadas de algodão num pano de fundo azul intenso. O sol começa a despontar lá longe, e, os primeiros raios desenham riscas que trespassam as nuvens dando os bons dias à cidade. Estou surpreendida, pela positiva, por este Outono ter chegado como quando eu tinha 6/7 anos. Tudo combina e se encaixa perfeita e harmoniosamente, como se de um relógio suíço se tratasse. E sinto uma certa nostalgia. O frio  matinal que combina tão bem com o início de aulas, o pingo no nariz e a tosse, embora desnecessários, que acompanham a mudança de estação, as tardes soalheiras que anunciam a chegada dos marmelos, e, as noites que já pedem meias nos pés.  Sei que cresço comigo e com os outros, nunca esquecendo o que a vida me tem ensinado. Sempre fui péssima com horas, e, ainda que raramente atrasada, sempre fui a típica pessoa, sim que acredito não estar sozinha ou então vivia em Inglaterra, que chegava às “aulas em cima do toque de entrada ou a segundos deste.

Depois de uma reunião bastante elucidativa com a nova educadora, eu e os outros pais, sobre regras e horários soube de imediato que as coisas iriam mudar, e, eu também. Tantas e tantas vezes sabemos as coisas e como devem funcionar, mas, parece que vivemos sob um estado de hipnose que só se resolve com a palavra certa para acordar. Depois de um discurso fabuloso de alguém com  idade para ser minha mãe, a palavra prepotente fez-me acordar.   E, a educadora disse: se há algo com o qual eu vou ser prepotente é com os horários. Desde esse dia que estou mais pontual que um habitante de terras de sua Majestade e funciono melhor que um relógio suíço. E tem sido bom sentir que acordo antes do sol e posso aventurar-me no silêncio da cozinha.

Posso dizer que naquele dia foi a primeira vez que me sentei numa cadeira pequenina numa creche. Aprendi que nunca é tarde para voltarmos a ser crianças, apanhar um raspanete, e saber que chegar 20m mais cedo sabe muito bem. Hoje sei que a máxima do meu avô,  acordar cedo e cedo erguer , encaixa na minha vida na perfeição. Estou contente por isso.

Hoje, a manhã começou com pensamentos profundos e alguma vontade de fazer uns mini crepes a saber a chocolate.

Tenho uma frigideira mini, onde apenas estrelava ovos, que, se revelou perfeita para mini crepes servidos a mini adultas e comidos com maxi vontade 🙂

Usei como medida um cup medidor de 80ml – rendeu 10 mini crepes – frigideira com 14cm de diâmetro

80ml de farinha T55, 120ml de leite, 1 colher de sopa rasa de Nesquik, pitada de canela em pó, 1 ovo batido, 1 colher de chá rasa de manteiga derretida, mas fria

Misturar a farinha com o chocolate e a canela. Adicionar o leite aos poucos e ir mexendo com uma vara de arames de modo a não deixar grumos. Por fim juntar o ovo, previamente batido com um garfo e uma colher de chá rasa de manteiga derretida.

Colocar a frigideira em fogo médio baixo e ir deitando a mistura dos crepes no fundo, apenas o suficiente para o cobrir. O primeiro poderá não sair bem, é normal. Assim que a massa começar a borbulhar e os lados a soltar voltar o crepe e deixar cozinhar até que ao abanar a frigideira este se solte, o que é rápido, apenas segundos.

Ficam perfeitas, quer dizer, assim, pequeninas e redondinhas. Servi com doce de pêssego.

Bom fim-de-semana.

Vou regressando aos poucos.

O Que é Isto Mãe?

O tempo tem-se passado ao gosto das mais pequenas, afinal, são elas que ditam as regras e horários. Numa manhã em que os banhos se prolongaram para lá do estipulado, e a fome também, este almoço soube-me muito bem. E, teve que ser rápido, muito rápido. Cozi umas batatas às rodelas bem finas, sim para adiantar a coisa. Num tabuleiro coloquei as rodelas das batatas, cenoura ralada, salsichas às rodelas e coloquei uns ovos batidos com 100ml de natas por cima. Foi ao forno a 200ºC até os ovos cozinharem. Foi rápido. Muito rápido. Tão rápido quanto a pergunta: Mãe o que é isto?

-Come mas é tudo para voltarmos para a praia. E comeram. E fomos.

E, talvez seja uma espécie de tortilha.

Por aqui as mudanças dão passos largos, e, em breve actualizo as novidades. Setembro fecha o Verão, inicia o novo ano lectivo. Iniciam-se novas rotinas. Abraçam-se novos desafios com entusiasmo, porque assim tem de o ser ou não corre bem. Volto em breve para me actualizar das novidades, do que se faz, do que se fez, do que se viu e não viu. Um bem haja a quem cede um pouco do seu bem mais valioso para vir até aqui. Da minha parte apenas posso dizer que espero ser breve. Boa semana.

Papa de Bebé

Se puder escolher algo que marcou este Verão, embora às vezes pareça Outono, eu direi Banana Congelada ou Gelado de Banana. Eu que não gosto de bananas ao natural compro-as, por agora, apenas com o intuito de fazer gelado ou batidos, e, confesso que me sabe bem, mas muito bem mesmo. O gelado de banana presta-se às mais variadas combinações e onde a nossa vontade e imaginação nos levarem. Por hoje fica a sugestão: banana congelada+iogurtes de queijo fresco+bolachas maria. Colocar na picadora e bater até ficar creme. Consumir de imedito ou guardar no congelador. E digo mais, sabe a papa de bebé, tem pedaços de bolacha, e isso eu gosto, nós gostamos.

Do Vento que Traz Apetite

Por estes lados o mês de Agosto é de colocar a mais zen das pessoas de nervos à flôr da pele. Não consigo perceber este conceito de férias, em filas para o pão, no supermercado, nas ruas, nos restaurantes. As pessoas amontoam-se na praia e pelos areais coladas umas às outras. Vale o vento para conseguirem respirar. Eu, fujo da praia por esta altura e cada vez gosto menos deste frenesim a que chamam férias. Férias, para mim, significam tranquilidade, sossego, e poder ouvir a calmia trazia pelos sons da natureza. E, é por isso, que, quando acordo e vejo um céu branco-cinza fico contente, muito contente. Não vou para a praia, vou antes para perto dela, o meu sítio preferido. E, num dia em que o sueste me brindou com o seu vento e tapou o sol durante um pedaço da manhã fomos exercitar o corpo. Chegamos cheias de apetite, ou melhor, cheias de fome. Pediram atum, pediram arroz, e, eu, só pensava em comer e beber água. Foi fácil satisfazer todos os pedidos. E, ainda mais fácil colocar a comida na mesa em 15m. Foi só cozer o arroz, que, depois de cozido e escorrido, foi envolvido em molho de tomate, atum, pepino e polvilhado com oregãos. E que bem que nos soube. Venham mais dias destes. Perfeitos para momentos a 3. Perfeitos para refeições cheias de sabor e devoradas com vontade.

Arroz Cozido e Escorrido+Molho de Tomate+Atum+Pepino+Oregãos

Pizza rima com Calor

A poucos dias do fim do mês de Agosto chegou o calor, daquele abrasador, de tirar o fôlego a qualquer um. Há um bafo quente no ar que se entranha nos pulmões. O céu perdeu o azul e vestiu-se de cinza claro com pinceladas laranja. Abro as janelas na esperança que a brisa entre e traga um pouco de ar fresco. No entanto, apenas sinto a onda de calor que se abate pela cidade. É do sueste dizem os entendidos. O sueste, que segundo contam, é caracterizado por ventos quentes vindos de Marrocos, águas mais quentes, com algas mas também com mais ondulação. À noite a cidade veste-se de nevoeiro, e, a humidade quente e abafada penetra nas roupas e facilmente se sente o corpo peganhento. Nestas alturas refugio-me no melhor lugar no mundo, ou pelo menos o mais protector, a minha casinha. Ainda assim, as minhas filhas acham que devo ligar o forno. E ligo. E faço-lhes a vontade. E ainda falamos em fazer um bolo. Afinal, há calor que apetece. Porque é feito com carinho.

Quantidades para 1 pizza média/grande: 100gr de água, 1 colher de sopa de azeite, 1 colher de sopa de leite em pó, 1 colher de sopa de açúcar, 200gr de farinha T55, 5gr de fermento seco
 
Colocar todos os ingredientes na mfp no programa que amassa apenas. Colocar todos os ingredientes pela ordem acima na mfp e escolher o programa que apenas amassa. Findo o tempo colocar a massa na bancada previamente untada com um pouco de azeite. Esticar a massa e forrar a forma da pizza. Esticar os rebordos e dobrar para dentro a massa pressionando contra a base de modo a formar um tubo ao redor da forma. Pincelar com azeite e deixar levedar 30m dentro do forno apenas com a luz acesa. Findo o tempo picar o fundo com um garfo e rechear com o que mais apetecer. Pré-aquecer o forno a 200ºC e deixar dourar a gosto. Não tendo mfp pode amassar-se usando a batedeira com os ganchos e assim que a massa descolar das paredes da taça amassar um pouco com as mãos e depois seguir os passos acima descritos.
 

Das Coisas Simples com Sabor

É fácil habituar-me às coisas boas. E, tanto melhor se for um gelado de pura fruta, de cor irresistível e pedaços de cereja. Daqueles que se fazem enquanto as mais pequenas terminam o almoço. Daqueles que repetimos sem pensar em calorias, e, ainda assim, ficar tanto de pasmada como de maravilhada, a pensar como as coisas simples se impõem perante muitas outras e nos dão um imenso prazer a cada colherada.

A fórmula mágica:

Bananas previamente cortadas às rodelas e congeladas+1 iogurte tipo “suissinho”+colheradas de doce de cereja a gosto. Colocar numa picadora e começar por triturar as bananas. Quando estiverem tipo migalhas adicionar o iogurte e por fim o doce de cereja. Como sempre, fica com uma cremosidade única devido às bananas. Consumir de imediato ou congelar, se sobrar 🙂

Boas férias e boa semana a quem me visita. Tenho passado de fugida pelos vossos cantinhos, assim tipo mulher invisível, mas não tem sido fácil comentar. Obrigado pelo vosso tempo e até já.

Métodos de Aprendizagem – Feijão Frade

Existem um sem número de diversos métodos de aprendizagem. Desde aquele estudado na escola, o famoso tentaviva-erro, o castigo, Pavlov, e, não menos importante, senão o mais importante, o saber que chega até nós através de experiências vividas em determinados momentos e que nos marcam para sempre. E, se houve algo que me marcou foi aprender a gostar de feijão frade. Ainda não tinha 5 anos. Estava sentada a uma mesa redonda numa cozinha onde as paredes eram de azulejos bem quadrados e cheios de flores. Na mesa uma toalha de plástico macio e com flores azuis e verdes. À minha direita a minha avó. Mulher corpulenta, que, impunha respeito. Professora primária de profissão usava os métodos de aprendizagem próprios dos anos 70 e 80. Hoje, confesso que alguns desses métodos me parecem fazer falta. À minha primeira recusa em comer os feijões recebi uma ordem seca de “come e cala-te”. Estava em pânico só de ver aqueles bichos no meu prato. Tinha os braços a apoiarem-me a cara há longos minutos, coisa que a minha avó detestava. E, sem mais palavras, de repente apenas senti a minha face direita aquecer e as costas sentiram o frio dos azulejos. Pois é, levei uma daquelas estaladas que me mantiveram motivada para o resto da vida para comer feijão frade.

Se é um método fiável? Não, não o é. Podia ter ficado traumatizada negativamente para o resto da minha vida e viver em consultórios de apoio psicológico por ver feijões frade gigantes a perseguirem-me durante a noite.

Sobrevivi e cá estou eu para contar a história. Afinal o nome deste blog é Sabores com História, e, esta é história do sabor do feijão frade.

Sou apologista do método experimental, experimenta hoje, amanhã e depois, e, talvez um dia se aprenda a gostar. Mas, de facto, é caso para dizer “os tempos eram outros”, oh se eram, e, ainda assim, poder dizer que se teve uma infância recheada de experiências e aventuras como só os anos 80 deram a essa geração.

Repitam: BANANA

Eu sei, mas sou assim. Tomo-lhe o gosto e repito este gelado de banana, que, roça a simplicidade de uma forma tal que me obriga a encolher os ombros perante o fenómeno. Desta vez fiz adicionei um Danoninho à mistura.  Há coisas simplesmente fantásticas e este gelado é uma delas.

Agora uma constatação que ecoa há dias na minha mente e hoje é o dia perfeito para a transcrever.

Tenho respeito pelas convicções, crenças, ideologias, partidos, e, clubes do outros. Da mesma forma respeito a liberdade e o silêncio de cada um, e, o que fazem ou deixam de fazer só a si mesmo deve interessar, desde que não interfira com a liberdade dos outros. Hoje manifesto a minha tristeza, não pela selecção portuguesa de futebol, mas, pelo que assisto e que merece de certa forma uma comparação futebolística. Vejo multidões sorrirem, chorarem, e, aplaudirem equipas de futebol como se de uma irmandade se tratasse. Nada sabem, eu nada sei e nem me importa, sobre as vidas destas pessoas mas sofrem e alegram-se por elas. Fico triste. Sim, fico mesmo. Gostava que da mesma forma, e sem muitas especulações dadas a cuscuvilhices, as pessoas esboçacem um sorriso e ficassem felizes pelo vizinho do lado ter um *carro novo melhor que o seu. Mas não. De imediato começa um rol de perguntas cheias de ironia, de onde veio, como comprou e o que faz. Não custa alegrar-mo-nos pelo bem-estar dos outros. Para quê esta atitude cheia de graus de comparativos de inferioridade, igualdade e superioridade? Faz pessoas amargas em busca de respostas a perguntas que não lhe pertencem. Vale a pena pensar nisto e a mim custa-me entender este comportamento social.

*não comprei nenhum carro novo e não tenho vizinhos cuscos, mas assisto com cada coisa que fico a pensar se serei deste planeta. Irra, não têm nada para fazer? Passar a ferro? Escovar o cão? Lavar persiananas? Contar os botões de todas as peças de roupa que há em casa? Na falta de alguma coisa interessante para fazer vão exercitar o corpo, pois, já o outro dizia: “corpo são em mente sã” .

Simplicidade

Há receitas que se olham, apreciam, e, têm um aspecto mesmo convidativo. Depois vem a lista dos ingredientes, por vezes demasiado extensa, outras, com meia dúzia de ingredientes que desconhecemos. Então, inicia-se a demanda no google para saber o que se são e onde se compram. Aquilo que no início era uma receita promissora muitas vezes acaba num encolher de ombros e com um sentimento de derrota culinária que me impressionam, ou então num desastre culinário. Afinal, demorou mais tempo que o indicado, a panela não é a tal ou a temperatura do forno estava em desacordo. Isto, apenas, para dizer que nem sempre o desconhecido é assim tão interessante, e, em prol da promissora receita as coisas mais simples são relegadas para segundo plano.

Felizmente quem tem crianças sabe bem como elas pedem coisas simples, sem grandes complicações, como a sugestão de hoje.

Simples. Arroz com atum ao natural e polvilhado com coentros frescos picados. O arroz coze-se em água, sal e louro. No final é só envolver com o atum e os coentros. Uso arroz vaporizado que sai sempre bem e solto. E que bem que esta tacinha me soube.

Já foram de férias? Espreitem aqui.

De Pequenino é que…

… se aprende. Aprendem-se muitas coisas, e, uma delas é que a fruta “faz bem à barriga”. Por isso, a cesta da fruta está estratégicamente colocada numa prateleira que fica mesmo ao nível dos olhos das mais pequenas. Funciona, e, muito bem. É vê-las passar para a cozinha quando têm fome. A primeira coisa que se ouve, e vê, a maior parte das vezes, afinal há excepções, é o simples agarrar de pegar numa peça de fruta e perguntar se se pode comer. Pequenos gestos que fazem a diferença cá por casa. E desse lado? Também há estratégias?

Leite Colorido

Beber leite branco era, para mim em pequena, um sacrifício. Continuo a tentar, a beber sem muita vontade para dar o exemplo. Mas não serei certamente o melhor, pois as minhas filhas vão pelo mesmo caminho.

Digamos que a minha mãe me traumatizou com canecas de leite a ferver, cheias de nata a boiar, blhc que volta ao estômago só de lembrar, com muito mel para beber quando a gripe chegava. Nem sei como ainda tenho cordas vocais.

Quer isto dizer que leite branquinho na na ni na não. Para contrastar tenho uma irmã que só bebe leite branco e frio, sem adições de nada. Gostos.

E, quando se tem crianças que ganharam os genes da mãe na relação com o leite há que fazer coisas criativas, simples e funcionais. Utilizar *fruta que as crianças gostem, aqui com morangos, juntar leite ou iogurte natural, passar a varinha mágica e servir com os seus cereais preferidos. Até eu gosto 🙂

*a excepção à regra é mesmo no tempo frio. Frutas mais coloridas nem vê-las e aí o chocolate em pó entra em acção.

Espinafres… como o Popeye

Cresci a ver o Popeye e a Olívia. Lembro-me perfeitamente do momento em que o Popeye abria a lata e despejava todos os espinafres para dentro da boca. De imediato os músculos cresciam, ficava forte e nada o detia. Mais tarde tive um jogo de computador com o Popeye que adorava.

Hoje em dia o Popeye já não pode ser usado como exemplo para incentivar a comer espinafres, mas para mim será sempre o meu exemplo de quem fica forte quando os come. No entanto, quando penso em espinafres não consigo deixar de pensar: – “comam espinafres para ficarem fortes como o Popeye“. Tenho que trocar a frase e dizer: “comam espinafres para ficarem fortes, terem músculos e conseguirem nadar sozinhas”. Funciona. Eu como e digo: “a mãe também come”.

-Então vais ficar forte e nadar connosco?

-Sim, vou.

No final arregaçam as mangas e mostram os braços dizendo:

-Olha lá mãe, vês os meus músculos? Estou a ficar forte.

-Pois estás. Ficas forte quando comes espinafres.

Comer Gelatina

Existem pequenos gestos que nos facilitam a vida na hora de os colocar em prática. Devemos comer gelatina porque hidrata a pele, dá força às unhas, vitalidade e brilho aos cabelos. Porque sabe bem. Porque é fácil de fazer. Porque agrada a todos.

No entanto esta menina é atrevida. A cada colherada tenta fugir de nós e muitas vezes acaba caída na toalha. Com crianças a queda é sempre mais certa. Uma travessa cheia de cor que mexe é um alvo digno de se abater às colheradas. Por isso, e para não haver gelatina a voar, distribuo a geltina pelos copos da iogurteira. Uma forma simples de cada um ter a sua, e, como cada frasquinho tem tampa não ganha possíveis sabores.

É muito mais fácil as crianças segurarem um copo individual e beber os pedaços que ficam.

Batatinhas com Vitaminas…

Talvez ao contrário da maioria, é quando o tempo aquece que como batatas. Sabem bem frias e são um excelente acompanhamento para peixe grelhado ou até mesmo carne grelhada. É tempo de feijão verde e esta sugestão já faz parte do nosso menú do tempo quente. Uma salada, simples, de batata e feijão verde, temperada com muitos oregãos secos, mas, daqueles que se compram aos molhos, bem perfumados.

E, quando surge a pergunta: “o que é isto verde?”  de imeadiato respondo: – são batatinhas com vitaminas e a conversa fica por ali.

Não entendo porque o nome “feijão” soe mal, talvez porque rime com “papão”, personagem que por acaso não faz parte dos meus métodos educativos 🙂

Pedras No Meu Caminho… Guardo-as Todas e Faço Um Gelado

Quando há cerca de 1 ano atrás comecei a ver o gelado de 1 ingrediente só perdia-me a olhar um gelado simples, bem conseguido, de aparência cremosa. Palavras como Bimby, liquidificador não fazem parte do meu vocabulário culinário, nem da minha cozinha. Assim, ia sempre adiando a sua execução por achar que a minha simples, e, pequena, picadora, que veio com a velhinha varinha mágica, não seria capaz de tal proeza. Fui juntando as pedras no meu caminho e um dia juntei as bananas maduras. Tinha que ser, tinha de o fazer, tinha de arriscar, tinha de confiar.

Quando coloquei as bananas congeladas na picadora ela nem fraquejou quando primi o botão. Fez o seu trabalho. Curiosa, ia olhando para o resultado, granulado de banana congelada. Lembro-me de ver a dica de juntar um pouco de leite, assim o fiz ainda que a olho. Volto a primir o botão e a coisa parece estar no bom caminho. A mistura começa a agarrar dos lados à medida de que fica cremosa. Não desisto. Vou empurrando com a colher, coloco a tampa e volto a primir o botão. Magia. Gelado. Banana gelada cremosa, talvez seja mais correcto. Pouco importa. 5m me separaram do resultado final, delicioso. Aprovado pelas bocas mais exigentes da casa. Adorei. Simples. Surpreendida.

Supremas de Bacalhau

Já que o tempo é de Primavera em tons de Outono liga-se o forno com mais facilidade. Está frio, vento e chuva. Ainda assim, recuso-me a voltar a andar com os pés fechados, excepto nas sapatilhas.

A minha relação com o bacalhau já foi pior. Há que variar a ementa, e, desde que descobri as Supremas de Bacalhau há sempre em casa. A um preço bastante acessível, 5,95€, cada caixa traz entre 2 a 4 postas perfeitas no ponto de sal e para cozinhar como bem apetecer. São uns lombos perfeitos, para grelhar, assar e até mesmo cozer, sem espinhas e ultimamente andam com desconto de 50% em cartão no Continente*.

Só agora me apercebi que o post estava datado de 27 de Abril, data na qual ainda havia efectivamente este desconto em cartão. No entanto, o desconto já não se encontra em vigor. De qualquer modo, em meu entender, é um preço bastante acessível para uma refeição que pode dar para 4 pessoas.

Se me quiserem enviar uns vales de desconto pela publicidade agradeço 🙂

 Perfeitos ainda para um empadão que se faz ápice, e, sendo feito com puré de batata é do agrado das crianças. Antes de ir ao forno, bater 1 ou mais ovos com coentros picados e levar ao forno até cozinharem. Fica uma capinha deliciosa e bem perfumada. Não há receita. É cozer o bacalhau, tirar as lascas, temperar e refogar a gosto. Fazer o puré. Colocar num pirex 1 camada de bacalhau, 1 de puré e terminar com ovo batido.

Flores de Perú na Cesta

Nunca fui adepta de nuggets. Nunca os comprei para fazer em casa, no entanto já os provei numa dessas cadeias de fast food. Não gostei, a suposta carne sabia a tudo menos a carne. As formas e cores que nos rodeiam incentivam-nos de forma positiva, pelo menos assim deve ser, e, como estamos na Primavera achei que ficariam bem na mesa umas flores de perú. Não tem truque, só uma pitada de criatividade 🙂

Usar uns bifes de perú panados ao vosso gosto, e, com a ajuda de um cortador com formato de flôr cortar os bifes. Se sobram pedaços? Claro que sim. Comem-se. Assim, pequeninos, fritos são um petisco e acabamos por comer menos que o habitual. As crianças da casa adoraram comer flores.

Uso óleo de milho para fritar. Todos sabemos que os fritos em excesso fazem mal. Por aqui são 1 a 2 vezes por mês e apenas os faço em óleo de milho. É mais saudável, dizem os entendidos, eu acredito.

E, sendo assim, eu fico encarregue de levar os panados para o pic-nic da Manuela. Que, sendo em versão mini são perfeitos para graúdos e miúdos petiscarem. Que vos parece?

Convidei para Jantar…

O projecto “Convidei para Jantar” da Ana já vai na 4ª edição, e, tem sido divertido participar e ver desfilar iguarias. Desta vez, a anfitriã do tema foi a Pami, que decidiu escolher o tema realizadores de cinema. Se há coisa que não sou muito boa é a decorar nomes de realizadores, e, os poucos que sei já estavam ocupados com outros convites. Lembrei-me então de alguém que já conhecia das aulas de português do secundário. Mas, foi na universidade que vi pela primeira vez este filme fantástico.

Nunca me hei-de esquecer que estava na aula prática de Educação Física quando a professora perguntou se alguém sabia o que era “Folclore” . De imediato todos pensamos e respondemos o mesmo, é uma dança tradicional. Foi aí que aprendi que folclore, não é só uma dança, é tradição, é o conjunto de usos e costumes de uma cultura que passam de geração em geração. Eu, tal como os outros, ficamos surpreendidos. Foi então que a professora nos disse: amanhã vamos ver um filme, um filme que retrata folclore.

Chegados ao anfiteatro de imediato nos remetmos ao silêncio. Na grande tela começam a passar imagens a preto e branco. Um filme com aquela voz e músicas características de um filme dos anos 40, um filme para mim perfeito, que me colou à cadeira e me deixou de olhos presos ao ecrã. Uma viagem à infância daqueles meninos que afinal era parecida à minha. O retrato de uma sociedade que mostra as nossas raízes, como se vivia, como falava, como se brincava, os amores e desamores. Silêncio que vamos ver Aniki Bóbó de Manoel de Oliveira, um filme delicioso e que aconselho a ver.

Aniki Bóbó

Fiquei muito contente por tê-lo para jantar e inevitavelmente falamos de si e das suas obras. Eu disse-lhe que gostei muito do filme “Amor de Perdição”. Ainda hoje recordo as cenas finais do filme e toda a história de Camilo Castelo Branco.

Para jantar resolvi inovar com algo simples, e, estando perto do mar iria cozinhar peixe de certeza. Arroz selvagem de tamboril. Não tem que enganar, começar por fazer o arroz ao gosto de cada um e 5m antes de terminar a cozedura adicionar o tamboril e retificar temperos. Deixar ferver uns 5m, polvilhar com coentros frescos picados. Tapar a panela e deixar repousar um pouco antes de servir. Nunca cozinho o tamboril de início pois é um peixe que se desfaz facilmente e fica mole com demasiado tempo de cozedura.

Durante o jantar digo-lhe que irei fazer um post no meu blogue sobre  ele e colocaria o modo como havia preparado o arroz. Hoje, ao fazê-lo, sou arrebatada por uma montanha de saudades de ver estes 2 filmes fabulosos, e, só me ocorre dizer “passarinho tótó”.