Uma Casa Portuguesa…

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Com certeza que sim. Que é. Por isso o arroz de feijão cresceu comigo e não o dispenso. Porque as minhas memórias do arroz de feijão são do tempo em que a minha avó fritava fanecas para o acompanhar. Mas, porque a avó não está mais e a mãe perpetuou no tempo o arroz de feijão, na minha casa continua a comer-se. Todos gostam e pedem. E feito com feijão cozido em casa ainda sabe melhor.

Cozer feijão em casa é fácil, barato e o sabor, esse, é muito melhor.

Por norma escolho feijão manteiga ou vermelho, mas há tipos de feijão para todos os gostos. Mercearias de bairro ou nos mercados são óptimos locais para se encontrar.

Coloco o feijão num alguidar e cubro com água. Fica a demolhar a noite toda. No dia seguinte coloco na panela de pressão o feijão escorrido, junto uma folha de louro, alhos esmagados e água limpa. Fecho a panela em pressão e coze 25m.

E é só isto. Pode congelar-se, ou, então, se for em quantidade apenas para a semana, guardar em caixa fechada no frigorífico, que, depois, pode ser usado ao longo da semana em sopas, arroz ou massas.

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O Conforto de Sempre no Prato de Sempre

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Gosto de experimentar sabores diferentes, e, por isso, não fecho o meu palato à globalização. No entanto, existem comidas simples, de sempre, daquelas que, mal abrimos a porta e sentimos o seu cheiro no ar sabemos que é bom, que nos aconchega, que nos sacia.

O esparguete com frango faz parte do meu espólio de sabores desde que me entendo como pessoa. Há dias diziam-me que certos sabores vêm com no adn das crianças, talvez assim o seja, até porque as minhas nunca recusam um bom prato de esparguete com frango.

E faço-o da forma mais simples e mais rápida, na panela de pressão.

Apenas um refogado com cebola, alhos, azeite e louro. O tempero apenas sal e um pouco de colorau. Salteia-se a carne até ganhar cor. Adiciona-se água quente e tapa-se a panela. 20m em pressão é quanto basta. Adicionam-se as ervilhas e as cenouras, e também o esparguete. Junta-se mais se necessário e deixa-se cozinhar em pressão mais 10m. Por fim coloca-se na panela um molho de salsa de deixa-se repousar antes de servir.

Boa semana, boas férias se for o caso, e obrigado por continuarem desse lado.

Hambúrguer no Forno… Tão Simples

Em certas alturas a minha criatividade atinge um expoente elevado de tal forma que não me reconheço na cozinha. Com a chegada do frio a comida de forno traz um aconchego único, e, claro, convida a misturas de sabores, resmas de sabores, pelo menos assim apetece. A sintonia torna-se ainda mais perfeita quando nenhum se sobrepõe ao outro. É bom ter-te de volta Outono.

Hambúrguer no Forno

  • Hambúrguer
  • Cebola
  • Pimentos Vermelho e Verde
  • Azeite
  • Tomilho
  • Natas magras

Colocar na picadora a cebola e as tiras de pimentos, tantas quantas apetecer, e picar. Regar com azeite uma travessa ou pirex de forno com tampa e espalhar a mistura da cebola por cima.

Colocar os hambúrgueres. Polvilhar com o tomilho e colocar uma colher de sopa de natas por cima de cada um.

Tapar e levar ao forno cerca de 20m. Acompanhar com puré de batata.

O regresso está ainda num horizonte longínquo. Os posts guardados começam a diminuir. Por enquanto resta-me agradecer às visitas simpáticas que por aqui vão passando, e, como já tenho dito, sempre que apetecer, sem obrigações. Boa semana e bons cozinhados.

Forno, Rolo e Sofá

E parece que foi desta. O Outono chegou e veio para ficar. Já lá vão 2 semanas de tempo instável, chuva todos os dias, um sol que se mostra muito a medo, vento, humidade, trovoadas, e roupa para lavar que se vai amontoando na esperança que o sol apareça. Outono é sinónimo de aconchego, e, concordarão, a palavra forno assenta muito bem nesta estação. Assenta e eu sento-me, aconchegada, enquanto a comida de forno se faz. É uma forma de nos libertarmos um pouco do fogão, seja para fazer outra qualquer tarefa ou apenas para nos esticarmos no sofá 😉

E porque já estava farta de almôndegas e carne à bolonhesa decidi fazer um rolo de carne, o primeiro, até porque há uma primeira vez para tudo. E não é que fica bonito e sabe bem? Para a próxima junto um pouco de chouriça picada, que, certamente, lhe há-de dar mais sabor.

Correu bem. Apenas podia ter levado um pouco mais de sal, mas foi uma experiência bem sucedida. Receei que pudesse ficar seco. No entanto depressa encontrei solução* na minha gaveta.

Rolo de Carne recheado com Cenoura e Queijo Ricotta

  • Carne picada qb
  • Cebolas qb
  • Cenouras qb
  • Sal qb
  • Pimenta moída na hora qb
  • Salsa fresca qb
  • Ovo 1 a 2 – dependendo da quantidade de carne
  • Azeite qb

Colocar na picadora, ou robot de cozinha, todos os ingredientes acima indicados, ou outros a gosto, e triturar até estar tudo bem ligado.

Estender uma folha de alumínio e espalhar a carne, deixando com cerca de 1 dedo de espessura no máximo. Espalhar o queijo ricotta e enrolar com se de uma torta se tratasse.

*Depois procurei na gaveta uns sacos que vão ao forno, daqueles que fazem com que a carne cozinhe no seus próprios sucos e faz com que fiquei macia e não seca. Não são dos que trazem temperos, existem mesmo uns sacos simples para colocarmos nós o que bem entendermos. No sítio onde costumo fazer as compras, Continente, estão no corredor dos tachos e panelas.

Colocar o rolo dentro do saco próprio para forno e colocar dentro de uma forma de bolo inglês.

Fazer um molho com um pouco de azeite+sal+ketchup+mel+vinagre. Misturar bem e espalhar por cima do rolo. Fechar o saco com o atilho próprio tendo o cuidado de fazer uns pequenos furos para o vapor que se gera ir saindo.

Deixar cozinhar cerca de 30m. Findo este tempo destapar a carne e deixar dourar 10m. Servir com uma boa salada ou puré para os anti-saladas.

P.S. O blog continuará em modo de publicação automática. Volto logo logo, afinal já tenho saudades. Uma boa semana e obrigado pelas vossas sempre tão simpáticas visitas.

Arroz de Coelho no Forno Sff

Enquanto fazemos as compras no sítio do costume debruço-me para ver um preço, e, para meu espanto  vejo uma minhas filhas com uma revista de culinária na mão, a ler entenda-se, muito entretida. Digo para  ma dar que tenho que a colocar no sítio. A discussão começa porque a rapariga acha que tenho que lhe comprar a revista porque ela quer que lhe faça um arroz igual ao da capa, com chouriço e tudo. Perante a discussão apenas olhei de relance para aquilo que me pareceu arroz de pato. Negociamos, seguimos viagem e a revista foi devolvida.

Tinha decidido o jantar, coelho, mas, ainda não sabia bem como fazer, pois tinha ficado a descongelar e nem tão pouco estava a marinar… Sou lembrada pela minha consciência do que prometera, e, assim, saiu um arroz parecido ao da capa da revista repetido 2 vezes por todos.

Aqui fica a minha versão de arroz de coelho no forno, que, modéstia à parte, ficou mesmo boa 🙂

Arroz de Coelho no Forno

  • Lombinhos de Coelho – no Continente existem há venda embalagens de coelho fresco apenas com lombinhos
  • Arroz Vaporizado
  • Sal
  • Cebola
  • Cravinhos
  • Alhos
  • Raspa de Limão
  • Cerveja
  • Salsa Fresca Picada
  • Água Quente
  • Rodelas de Chouriça

Na panela de pressão colocar o azeite e os alhos. Assim que os alhos estalarem juntar a cebola picada. Deixar refogar até estar tudo macio e adicionar os lombinhos de coelho.

Juntar a raspa de limão, sal e cravinhos e deixar o coelho alourar de ambos os lados. Depois de alourar colocar a cerveja e deixar ferver um pouco até deixar de fazer espuma.

Por fim adicionar água quente e deixar cozer em pressão cerca de 20m.

Enquanto isso cozer o arroz num pouco de água previamente aquecida e temperada de sal e um fio de azeite. Depois de terminada a cozedura envolver a salsa picada.

Desfiar o coelho e coar o molho.

Numa travessa de forno colocar uma camada de arroz, uma de coelho desfiado e outra de arroz. Deitar colheradas de molho por cima e finalizar com as rodelas de chouriça.

Vai ao forno a 200ºC até a chouriça começar a ficar tostada e arroz secar um pouco.

Boa semana.

Sopa de Letras

Quando aprendi as letras, entenda-se vogais e abecedário, o que eu mais gostava era da canja com a massinha de letras. Ia procurando, e comendo, as letras do meu nome e a sopa era comida num ápice. Há dias fui às compras e lembrei-me de as trazer. Cá por casa, ainda não se lê mas já se conhecem as letras. E que bem que elas sabem. Era ver comer e ouvir soletrar as vogais com orgulho, assim como um abecedário pela metade, com a certeza que a sopa de letras era milagrosa.

Sopa de Letras com Tamboril

  • Tamboril – uso congelado em cubos
  • Cebola
  • Alhos esmagados
  • Pimento Vermelho
  • 2 colher de sopa de Sumo de Limão
  • Sal
  • Azeite
  • Água fervente qb
  • Massinhas de letras qb
  • Coentros Frescos

Fazer um refogado com a cebola, alhos esmagados e o pimento picado. Assim que estiver com aspecto macio adicionar os cubos de tamboril – como uso congelado deixo a descongelar num coador de rede de modo a que os cristais de gelo não vão para a panela . Temperar de sal a gosto e adicionar o sumo de limão. Deixar levantar fervura e juntar a água quente. Assim que levantar fervura novamente adicionar as massinhas e deixar cozinhar.

Antes de servir polvilhar com coentros frescos picados.

Bom feriado.

Quando a Fome Aperta…

Crianças famintas que começam a abrir armários em busca de comida obriga a planos rápidos. Tão rápidos quanto ter à mão molho de tomate caseiro, massinhas a gosto, e, de preferência, oregãos secos.

Depois não tem que enganar.

Cozer as massas em água e sal até estarem al dente. Escorrer. Temperar com um fio de azeite, envolver no molho de tomate e polvilhar com oregãos secos. Acompanha bem uma omelete, um atum em conserva. Assim, fácil, rápido e delicioso.

Boa semana.

Tamboril com Tomate em Pão e Azeite

Ainda que poucas vezes, existem outras tantas, em que, consigo surpreender-me. Nestas coisas da culinária, a nossa vontade, também chamada de fome, e, a imaginação desconhecem muitas vezes o resultado final de algo que não sabemos bem o que lhe chamar nem como chegamos até ela. Se havia pensado  num arroz de tamboril à medida que ia cortando o tomate fui mudando de ideias e comecei a desenhar uma éspecie de sopa alentejana mas sem o ser. Pela vontade com que foi comido, pelo sabor, e, pela forma simples como é feito merece ser partilhado. Um almoço pleno de satisfação que apenas deixou no prato a certeza de que se repetirá mais vezes.

Fazer um refogado com cebola, alhos esmagados e tomates em cubos. Temperar de  sal e pimenta e deixar cozinhar cerca de 5m. Adicionar o tamboril e deixar cozinhar. Rectificar temperos se necessário e juntar coentros frescos picados antes de servir.

Enquanto o tamboril cozinha, cortar uma fatias de pão, regar com azeite, esfregar com uns alhos, e, levar ao forno a 180ºC até estarem douradas, cerca de 10-15m.

Colocar uma fatia de pão no prato e por cima colheradas de tamboril. O pão absorve algum líquido mas mantém-se crocante… Uma verdadeira delícia.

P.S. Estou de férias, daquelas de fazer o que bem me apetecer sozinha. Vão ser uns dias até ao final do mês para depois… bem… depois eu conto tudo. Os posts estão agendados para não ficar o blog sozinho. Espero que perdoem a minha falta para convosco, mas, há alturas em que uma mãe não se pode esquecer que também é mulher. Por isso vou ali mergulhar sozinha, correr sozinha, não fazer nada sozinha, ler um livro sozinha. Gosto de estar comigo, e, poder abraçar o mundo e sentir que ainda estou viva.

O Que é Isto Mãe?

O tempo tem-se passado ao gosto das mais pequenas, afinal, são elas que ditam as regras e horários. Numa manhã em que os banhos se prolongaram para lá do estipulado, e a fome também, este almoço soube-me muito bem. E, teve que ser rápido, muito rápido. Cozi umas batatas às rodelas bem finas, sim para adiantar a coisa. Num tabuleiro coloquei as rodelas das batatas, cenoura ralada, salsichas às rodelas e coloquei uns ovos batidos com 100ml de natas por cima. Foi ao forno a 200ºC até os ovos cozinharem. Foi rápido. Muito rápido. Tão rápido quanto a pergunta: Mãe o que é isto?

-Come mas é tudo para voltarmos para a praia. E comeram. E fomos.

E, talvez seja uma espécie de tortilha.

Por aqui as mudanças dão passos largos, e, em breve actualizo as novidades. Setembro fecha o Verão, inicia o novo ano lectivo. Iniciam-se novas rotinas. Abraçam-se novos desafios com entusiasmo, porque assim tem de o ser ou não corre bem. Volto em breve para me actualizar das novidades, do que se faz, do que se fez, do que se viu e não viu. Um bem haja a quem cede um pouco do seu bem mais valioso para vir até aqui. Da minha parte apenas posso dizer que espero ser breve. Boa semana.

Do Vento que Traz Apetite

Por estes lados o mês de Agosto é de colocar a mais zen das pessoas de nervos à flôr da pele. Não consigo perceber este conceito de férias, em filas para o pão, no supermercado, nas ruas, nos restaurantes. As pessoas amontoam-se na praia e pelos areais coladas umas às outras. Vale o vento para conseguirem respirar. Eu, fujo da praia por esta altura e cada vez gosto menos deste frenesim a que chamam férias. Férias, para mim, significam tranquilidade, sossego, e poder ouvir a calmia trazia pelos sons da natureza. E, é por isso, que, quando acordo e vejo um céu branco-cinza fico contente, muito contente. Não vou para a praia, vou antes para perto dela, o meu sítio preferido. E, num dia em que o sueste me brindou com o seu vento e tapou o sol durante um pedaço da manhã fomos exercitar o corpo. Chegamos cheias de apetite, ou melhor, cheias de fome. Pediram atum, pediram arroz, e, eu, só pensava em comer e beber água. Foi fácil satisfazer todos os pedidos. E, ainda mais fácil colocar a comida na mesa em 15m. Foi só cozer o arroz, que, depois de cozido e escorrido, foi envolvido em molho de tomate, atum, pepino e polvilhado com oregãos. E que bem que nos soube. Venham mais dias destes. Perfeitos para momentos a 3. Perfeitos para refeições cheias de sabor e devoradas com vontade.

Arroz Cozido e Escorrido+Molho de Tomate+Atum+Pepino+Oregãos

Pizza rima com Calor

A poucos dias do fim do mês de Agosto chegou o calor, daquele abrasador, de tirar o fôlego a qualquer um. Há um bafo quente no ar que se entranha nos pulmões. O céu perdeu o azul e vestiu-se de cinza claro com pinceladas laranja. Abro as janelas na esperança que a brisa entre e traga um pouco de ar fresco. No entanto, apenas sinto a onda de calor que se abate pela cidade. É do sueste dizem os entendidos. O sueste, que segundo contam, é caracterizado por ventos quentes vindos de Marrocos, águas mais quentes, com algas mas também com mais ondulação. À noite a cidade veste-se de nevoeiro, e, a humidade quente e abafada penetra nas roupas e facilmente se sente o corpo peganhento. Nestas alturas refugio-me no melhor lugar no mundo, ou pelo menos o mais protector, a minha casinha. Ainda assim, as minhas filhas acham que devo ligar o forno. E ligo. E faço-lhes a vontade. E ainda falamos em fazer um bolo. Afinal, há calor que apetece. Porque é feito com carinho.

Quantidades para 1 pizza média/grande: 100gr de água, 1 colher de sopa de azeite, 1 colher de sopa de leite em pó, 1 colher de sopa de açúcar, 200gr de farinha T55, 5gr de fermento seco
 
Colocar todos os ingredientes na mfp no programa que amassa apenas. Colocar todos os ingredientes pela ordem acima na mfp e escolher o programa que apenas amassa. Findo o tempo colocar a massa na bancada previamente untada com um pouco de azeite. Esticar a massa e forrar a forma da pizza. Esticar os rebordos e dobrar para dentro a massa pressionando contra a base de modo a formar um tubo ao redor da forma. Pincelar com azeite e deixar levedar 30m dentro do forno apenas com a luz acesa. Findo o tempo picar o fundo com um garfo e rechear com o que mais apetecer. Pré-aquecer o forno a 200ºC e deixar dourar a gosto. Não tendo mfp pode amassar-se usando a batedeira com os ganchos e assim que a massa descolar das paredes da taça amassar um pouco com as mãos e depois seguir os passos acima descritos.
 

Simplicidade Temperada com o Sabor do Ano

O Verão é feito de dias que se arrastam pela noite adentro. Finais de tarde preguiçosos e alaranjados. A comida pede-se fresca, leve, com sabor. As frutas e legumes da época pedem o seu lugar à mesa, e eu cedo-lhes o melhor de todos na minha.

Por isso, quando vi o passatempo promovido pela Laranjinha e pelo Sabor do Ano, achei que uma salada fria de espirais temperada com um dos produtos Sabor do Ano merecia ser partilhada de tão simples e saborosa que é.

Espirais + Tomate Coração + Pepino + Queijo Fresco + Coentros + Sal e Pimenta Moída qb + Azeite + Vinagre de Vinho Branco Gallo

Cozer as espirais até estarem al dente. Numa taça colocar o tomate e o pepino picado. Temperar de azeite e vinagre. Envolver. Adicionar as massinhas cozidas e escorridas e o queijo. Temperar de sal e pimenta. Polvilhar com coentros frescos picados e envolver.

Métodos de Aprendizagem – Feijão Frade

Existem um sem número de diversos métodos de aprendizagem. Desde aquele estudado na escola, o famoso tentaviva-erro, o castigo, Pavlov, e, não menos importante, senão o mais importante, o saber que chega até nós através de experiências vividas em determinados momentos e que nos marcam para sempre. E, se houve algo que me marcou foi aprender a gostar de feijão frade. Ainda não tinha 5 anos. Estava sentada a uma mesa redonda numa cozinha onde as paredes eram de azulejos bem quadrados e cheios de flores. Na mesa uma toalha de plástico macio e com flores azuis e verdes. À minha direita a minha avó. Mulher corpulenta, que, impunha respeito. Professora primária de profissão usava os métodos de aprendizagem próprios dos anos 70 e 80. Hoje, confesso que alguns desses métodos me parecem fazer falta. À minha primeira recusa em comer os feijões recebi uma ordem seca de “come e cala-te”. Estava em pânico só de ver aqueles bichos no meu prato. Tinha os braços a apoiarem-me a cara há longos minutos, coisa que a minha avó detestava. E, sem mais palavras, de repente apenas senti a minha face direita aquecer e as costas sentiram o frio dos azulejos. Pois é, levei uma daquelas estaladas que me mantiveram motivada para o resto da vida para comer feijão frade.

Se é um método fiável? Não, não o é. Podia ter ficado traumatizada negativamente para o resto da minha vida e viver em consultórios de apoio psicológico por ver feijões frade gigantes a perseguirem-me durante a noite.

Sobrevivi e cá estou eu para contar a história. Afinal o nome deste blog é Sabores com História, e, esta é história do sabor do feijão frade.

Sou apologista do método experimental, experimenta hoje, amanhã e depois, e, talvez um dia se aprenda a gostar. Mas, de facto, é caso para dizer “os tempos eram outros”, oh se eram, e, ainda assim, poder dizer que se teve uma infância recheada de experiências e aventuras como só os anos 80 deram a essa geração.

Do Vaso para o Prato

O tempo conspira a meu favor. Perdoem-me os que estão de férias mas eu gosto mais assim, ameno, brisa fresca, e, uns 25º perfeitos. Os dias quentes andam inconstantes, uns dias andamos por aí a soprar, e, outros a pensar que mais parece estarmos no início de aulas. Eu, continuo constante, motivada na medida certa e com o meu objectivo definido. Os resultados aparecem e não pensem que só como alface e ovos, nada disso. Como de tudo um pouco, e, tive que aprender às minhas custas isso mesmo. Existe um equilíbrio, e, não é preciso passar a vida como um grilo nem amargurada porque se fecha a boca a um doce. Como dizia a S. não vou morrer por comer 1 bola de berlim. Pois não. E, por isso mesmo, na 4ª feira comi e soube muito bem, sem culpas.  Dietas restritivas penso que sejam opção para outro tipo de situações mais graves, isto porque 10kg a mais é uma questão que se resolve, 1º por dentro e depois por fora, no meu caso, claro está. E, já sabem, a palavra de ordem é não desistir.

Nesta época, de petiscos por excelência, devemos tirar partido do que a natureza no dá, cor e sabor. Há boa disposição no ar e sorrisos rasgados. Há mais brilho nos olhares. Há dias longos que cheiram a flores e a mar. E, há a vontade de partilhar a simplicidade de uma refeição, fresca, e, cheia de sabor. Assim, simples, como vir do vaso até ao prato. E, do vaso chegam os tomates cherry cá da casa. Que orgulho dos meus meninos.

Continuamos em stand by. Voltarei em breve. Um até já saudoso e obrigado pela vossa companhia.

Abacaxi e Banana

Ainda que sinta uma pequena ansiedade pelos dias quentes e soalheiros do Verão, na verdade, estou a gostar destes dias amenos. A água do mar está fria e os ventos que sopram de Norte e Noroeste não convidam a banhos. Continuam a convidar a passeios ao ar livre, a exercícios, a boa disposição e a batidos matinais.

A sugestão de hoje tem tudo para ser diurética, mas como também preciso de energia não podia faltar a banana. Quem diria… eu a comprar a bananas para comer… aliás, beber.

Boa semana.

Crumble de Tomate com Ovos

A revista Continente Magazine deste mês, pág. 34, trazia uma sugestão que me prendeu de imediato a atenção, Crumble de Tomate Confitado com Queijo.

De imediato sabia que iria tê-lo na minha mesa mas com muito menos tempo de preparação, pois 2h de forno ligado para os tomates confitarem não me entusiasmou.

Fiz um refogado de cebola e alhos ao qual juntei os tomates, e, deixei cozinhar até estarem macios. Coloquei numa assadeira, bati uns ovos, olha que novidade, eu a comer ovos, e coloquei por cima dos tomates. Piquei coentros e polvilhei. Torrei pão que parti em pedaços e coloquei na picadora. Adiconei umas rodelas de azeitonas e levei ao forno até os ovos cozinharem.

Que sou viciada em ovos já deve ter sido notado. Que gosto de tomate com ovo também, agora este crumble de tomate com ovo é divinal. O crumble de pão torrado com o molho do tomate…. hummmm. Merecedor de lugar de destaque a qualquer mesa. E, é um forte candidato às mais variadas combinações. 

Bom fim-de-semana a todos/as quantos me visitam

Gomes de Sá Rápido

Já não me lembro a que sabe um verdadeiro Bacalhau à Gomes de Sá. Talvez saiba a bacalhau. Pesquisei para ver se havia algum segredo escondido. Todas as receitas falavam em deixar as lascas de bacalhau, depois de cozidas, demolho em leite entre 1,5h a 3h. Peço desculpa Sr. Gomes mas as minhas clientes não gostam de esperar, sabe como é, crianças. Dúvido que algum dia afogue o bacalhau em leite durante o tempo que li. No entanto,  se um dia mudar de opinião depois falo consigo. Por agora deixe-me que lhe diga, e não desfazendo das suas habilidades culinárias, que, este bacalhau, quase igual à sua moda, estava delicioso e em cerca de 25m estava na mesa.

Cozer as batatas às rodelas com pitada de sal e louro e colocar numa panela com água quente. Noutra panela colocar as postas de bacalhau com água fria e deixar cozer cerca de 10m. Colocar ovos a cozer. Numa frigideira anti-aderente colocar cebola às rodelas e alhos esmagados e deixar refogar um pouco até a cebola estar translúcida. Desfiar o bacalhau e saltear com as cebolas, 2-3m, temperando de pimenta moída na hora, e, sal se necessário. Adicionar as batatas e os ovos cozidos. Envolver com cuidado para as batatas não partirem. Se necessário regar com um fio de azeite. Polvilhar com coentros frescos picados antes de servir e azeitonas.

Como sempre, usei as Supremas de Bacalhau, que estão novamente com desconto em cartão, que, ao serem de bacalhau fresco, têm a textura perfeita, macia como se quer.

Gomes de Sá Rápido

Já não me lembro a que sabe um verdadeiro Bacalhau à Gomes de Sá. Talvez saiba a bacalhau. Pesquisei para ver se havia algum segredo escondido. Todas as receitas falavam em deixar as lascas de bacalhau, depois de cozidas, demolho em leite entre 1,5h a 3h. Peço desculpa Sr. Gomes mas as minhas clientes não gostam de esperar, sabe como é, crianças. Dúvido que algum dia afogue o bacalhau em leite durante o tempo que li. No entanto,  se um dia mudar de opinião depois falo consigo. Por agora deixe-me que lhe diga, e não desfazendo das suas habilidades culinárias, que, este bacalhau, quase igual à sua moda, estava delicioso e em cerca de 25m estava na mesa.

Cozer as batatas às rodelas com pitada de sal e louro e colocar numa panela com água quente. Noutra panela colocar as postas de bacalhau com água fria e deixar cozer cerca de 10m. Colocar ovos a cozer. Numa frigideira anti-aderente colocar cebola às rodelas e alhos esmagados e deixar refogar um pouco até a cebola estar translúcida. Desfiar o bacalhau e saltear com as cebolas, 2-3m, temperando de pimenta moída na hora, e, sal se necessário. Adicionar as batatas e os ovos cozidos. Envolver com cuidado para as batatas não partirem. Se necessário regar com um fio de azeite. Polvilhar com coentros frescos picados antes de servir e azeitonas.

Como sempre, usei as Supremas de Bacalhau, que estão novamente com desconto em cartão, que, ao serem de bacalhau fresco, têm a textura perfeita, macia como se quer.

Congelar Massa para Pizza

É sem dúvida muito prático. Sair, sem muitas preocupações para o almoço. Deixar a descongelar à temperatura ambiente. Regressar. Ligar o forno a 200ºC. Estender a massa. Picar. Levar ao forno 5m. Rechear a gosto. Volta ao forno até dourar a gosto.

Fica uma massa muito fácil de trabalhar, e, muito importante, não há farinha por todo o lado. Receita da massa AQUI. Basta aumentar os ingredientes, se pretender, e depois de a massa levedar, retirar o ar e guardar num saco com fecho para congelação.

Bom fim-de-semana.

Repitam: BANANA

Eu sei, mas sou assim. Tomo-lhe o gosto e repito este gelado de banana, que, roça a simplicidade de uma forma tal que me obriga a encolher os ombros perante o fenómeno. Desta vez fiz adicionei um Danoninho à mistura.  Há coisas simplesmente fantásticas e este gelado é uma delas.

Agora uma constatação que ecoa há dias na minha mente e hoje é o dia perfeito para a transcrever.

Tenho respeito pelas convicções, crenças, ideologias, partidos, e, clubes do outros. Da mesma forma respeito a liberdade e o silêncio de cada um, e, o que fazem ou deixam de fazer só a si mesmo deve interessar, desde que não interfira com a liberdade dos outros. Hoje manifesto a minha tristeza, não pela selecção portuguesa de futebol, mas, pelo que assisto e que merece de certa forma uma comparação futebolística. Vejo multidões sorrirem, chorarem, e, aplaudirem equipas de futebol como se de uma irmandade se tratasse. Nada sabem, eu nada sei e nem me importa, sobre as vidas destas pessoas mas sofrem e alegram-se por elas. Fico triste. Sim, fico mesmo. Gostava que da mesma forma, e sem muitas especulações dadas a cuscuvilhices, as pessoas esboçacem um sorriso e ficassem felizes pelo vizinho do lado ter um *carro novo melhor que o seu. Mas não. De imediato começa um rol de perguntas cheias de ironia, de onde veio, como comprou e o que faz. Não custa alegrar-mo-nos pelo bem-estar dos outros. Para quê esta atitude cheia de graus de comparativos de inferioridade, igualdade e superioridade? Faz pessoas amargas em busca de respostas a perguntas que não lhe pertencem. Vale a pena pensar nisto e a mim custa-me entender este comportamento social.

*não comprei nenhum carro novo e não tenho vizinhos cuscos, mas assisto com cada coisa que fico a pensar se serei deste planeta. Irra, não têm nada para fazer? Passar a ferro? Escovar o cão? Lavar persiananas? Contar os botões de todas as peças de roupa que há em casa? Na falta de alguma coisa interessante para fazer vão exercitar o corpo, pois, já o outro dizia: “corpo são em mente sã” .