Salada Low Carb de Brócolos, Couve-Flor e Pota

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O jantar de fim-de-semana foi inspirado numa sugestão da Duxa de tubos de pota.

Troquei os tubos de pota pois sou fã das argolas 🙂 Uma sugestão que combina com Verão, facilidade, economia, saúde e muito sabor.

Salada Low Carb de Brócolos, Couve-Flor e Pota

Fui preguiçosa e usei a máquina de cozer a vapor. Cortei brócolos e couve-flor q.b. e deixei cozinhar 15m. O suficiente neste método para ficarem al dente. Salteei as argolas – sem descongelar – em azeite e alhos. Temperei de sal e pimenta moída. Deixei cozinhar cerca de 2m, virando-as a metade do tempo. Coloquei os legumes numa taça e coloquei as argolas. Com o azeite temperei a salada. Juntei tomate picado e coentros e envolvi tudo. Deliciosamente fácil.

Até breve.

Uma Salada para dias de não Preguiça

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Para mim fazer salada nem sempre é sinónimo de preguiça. Há dias em que fico cansada só de pensar em lavar folhas de alface, secá-las, lavar e cortar tudo o resto. Ainda assim, comer salada pode parecer um acto terrivelmente simples e rápido. Para mim, depende dos dias. Para mim, mais rápido que fazer salada são os ovos, mas essa conversa fica para outro dia.

Os morangos estão no seu auge, carnudos e doces quanto baste. Perfeitos para os comer de todas as formas. Esta simples salada, que por agora é fácil 🙂 , é repetida várias vezes, mas só até ao dia em que a preguiça não me atacar.

Salada de Morangos e Queijo Fresco

Lavar e cortar todos os ingredientes.

Temperar de sal, geleia de agáve, vinagre e azeite. Um contraste delicioso entre o doce e o acre do vinagre.

Boa semana e até breve.

O Desafio da Maria

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Gosto muito do blog da Maria. Adoro a forma como escreve e como me arranca sempre um sorriso com as suas histórias. Há tempos, a Maria propôs o desafio Receita Saudável e achei-o perfeito, sobretudo porque ela irá aos poucos testar as nossas sugestões e dizer de sua justiça o que acha. Original não é?

Desafio aceite e não foi preciso pensar muito. Bastou abrir o frigorífico, ter fome 🙂 , e usar coisas que tanto gosto, couve coração e cogumelos frescos.

Salada Quente de Couve, Cogumelos e Filetes de Atum*

Num wok colocar alhos qb, azeite e louro. Assim que os alhos começarem a estalar juntar os cogumelos frescos, temperar de sal e pimenta, e deixar cozinhar um pouco tendo o cuidado de não os deixar moles. Adicionar a couve coração em juliana e envolver nos cogumelos. Ir mexendo sempre até ficar cozinhada mas al dente. Antes de servir juntar os filetes de atum e misturar muito bem.

*São filetes e nada têm que ver com o atum em posta. São lombos perfeitos, em azeite, e da marca Pingo Doce, a 1.39€

Um bom fim-de-semana e até breve.

Salada Quente

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A Primavera chegou finalmente, ainda que com dias mais tímidos, e com ela as mudanças inevitáveis nos nossos roupeiros. É um abre caixas e gavetas que nunca mais acaba. Queremos acreditar que as roupas leves são mesmo para ficar e que os casacos ficam bem guardados até ao Outono.

Eu quero comer cerejas, pêssegos, ameixas, uvas e tomate rosa sem fim. Para as cerejas já pouco falta, para os outros mais um pouco de paciência.

Enquanto eles não chegam, recuso-me a voltar a ir buscar casacos, vou fazendo as minhas saladas quentes que tão bem me sabem.

Salada quente de Couve Coração 

Cortar a couve em juliana. Numa frigideira colocar azeite e alhos qb. Quando os alhos estalarem adicionar a couve e saltear cerca de 4/5m. Temperar de sal e pimenta. No fim polvilhar com coentros frescos. Simples e delicioso.

Boa semana e até breve.

Verde e Sésamo

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Tenho dias assim, de verde e sésamo. Dias em que só me apetece um bom prato de alface e ovos. Dias em que o pouco é muito e se traduz sempre numa sensação de bem-estar que poucos entendem. Parte da minha felicidade à mesa está ligada aos ovos, e sim, sou muito mais feliz quando partilho o meu dia com eles.

Salada de alface com cebola e sementes de sésamo temperada de azeite e vinagre de framboesa, outro dos meus amores de mesa 🙂

Boa semana e até breve.

Juliana de Feijão Verde

Juliana de feijão verdeEstamos mesmo em Janeiro, e só agora o sinto. Frio, chuva, céu cinzento e a vontade de fazer doces que vai sendo adiada. Talvez a promessa seja quebrada esta tarde.

Por agora, uma sugestão simples, juliana de feijão verde com alhos e oregãos. Simplesmente deliciosa, e acaba depressa demais.

Juliana de Feijão Verde

Cortar as extremidades do feijão verde e retirar os fios laterais. Cortar o feijão no sentido do comprimento de modo a obter uma juliana mais ou menos fina, fica a gosto.

Cozer em água com um pouco de sal cerca de 8-10m. Não deve cozer demais. Retirar e escorrer a água. Numa frigideira colocar azeite e alhos laminados. Assim que estalarem adicionar o feijão e salteá-lo um pouco. Temperar de oregãos e servir.

Um bom domingo. Até breve.

Salada de Cenoura e Beterraba

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No Agosto soalheiro fomos até perto da Zambujeira do Mar. De entre as muitas coisas caseiras que por lá comi provei uma salada de cenouras e beterraba simplesmente deliciosa, e logo eu que tanto desvalorizava a beterraba.

Por isso tentei em casa reproduzir e ficou muito perto do original. É um acompanhamento que se faz rapidamente e saboreia-se melhor no dia seguinte.

Vamos precisar de cenouras e beterraba; alhos picados; coentros; azeite; noz moscada e sal, tudo quanto baste.

Descascam-se  as cenouras e a beterraba e cortam-se em rodelas não muito grossas. Cozem-se em água com sal durante cerca de 20m e em fogo médio/baixo. O objectivo é que os legumes fiquem macios mas ligeiramente rijos.

Depois de cozidos colocam-se num escorredor até toda a água sair.

Numa taça coloca-se azeite, noz moscada, alhos picados, coentros e mistura-se muito bem. Por fim colocam-se as cenouras e a beterraba e envolver-se tudo. Guardar no frigorífico e saborear no dia seguinte pois os sabores já estão incorporados e apurados. Costumo fazer este tipo de acompanhamento à noite enquanto se arruma a cozinha e depois passa a noite no frio.

Até já.

Uma Espécie de Coleslaw

Segundo sei, o Coleslaw é uma receita típica americana de uma salada composta por repolho e cenoura, e, envolvida num molho composto por maionese. Como gosto mais de couve coração optei por esta, e, adicionei cenoura ralada e coentros. Optei pela mostarda, e um fio de azeite, ao invés da maionese. Perfeita para acompanhar umas coxas de frango grelhadas.

Um bom domingo e obrigado pela companhia.

Simplesmente Verde

Quando o sol aquece. Quando o calor aparece. Percorro as bancas do mercado à procura deles. Pequenos. Toscos. Ternos e crocantes num equilíbrio que só os produtos da época têm. Perfumar com muitos oregãos, obrigatório. Tempero… apenas umas pedrinhas de sal, um fio de azeite, muitos oregãos e pimenta. O vinagre tira-lhe o sabor, pelo menos para mim. Pepinos. Deliciosos. Afinal, quem disse que uma salada só de pepino não é salada?

P.S. post agendado. Modo de férias activo 🙂 Boa semana.

Cogumelos, Companhia Perfeita

Os cogumelos têm um elevado valor nutritivo  e têm 3 vezes mais nutrientes do que alguns frutos e vegetais. São bons fornecedores de proteínas de elevado valor biológico, por exemplo, 100g de cogumelos comestíveis frescos corresponde a 5,2g de proteínas. 90 por cento da sua constituição é água, têm poucas calorias (28Kcal em média para cada 100g) e quase nenhuma gordura. Têm uma elevada concentração de fibras, que potenciam o controlo de peso, a prevenção das doenças cardiovasculares e o funcionamento do intestino. É, portanto, além de muitas coisas, amigo de um regime alimentar saudável.  Informação retirada do site Nos Mulheres.

Em pequena comia os que a minha avó trazia. Só ela sabia quais se podiam apanhar. Ela, chamava-lhes “sanchas”, e, outras vezes, “níscaros”. Eu andava demasiado ocupada a descobrir e a explorar o mundo para perguntar sobre as diferenças de cada um dos termos. Isso, também, pouco ou nada me importava, afinal ela fazia as melhores sanchas guisadas do mundo e isso era quanto me bastava.

E, quando as avós vão cedo demais tudo fica por ali. Ficam os cheiros e os sabores como leves brisas que de vez em quando ecoam nas nossas memórias. E, eu, nunca mais comi sanchas. Um dia, descobri os cogumelos frescos, muito depois das latas é certo, e gosto muito de os fazer salteados. Servem de acompanhamento para uma massa, um arroz e até mesmo uma salada. É só deixar a vontade fluir.

Costumo usar sempre o mesmo método, simples e cheio de sabor.

Lavar os cogumelos com água corrente, sem os colocar demolho. Retirar os talos e com uma folha de papel secá-los. Colocar numa frigideira um fio de azeite e alhos esmagados. Cortar os cogumelos em quartos e quando o alho estalar juntar os cogumelos agitando a frigideira de vez em quando. Temperar com pitada de sal e pimenta moída na hora. Não deixar cozinhar demais ou ficam moles. Neste fase pode-se adicionar uma massa a gosto e envolver ou servir com uma salada. São muitas as opções, não deixem é de os comer.

Para Comer à Colherada

É altura dos pepinos de casca rugosa e cheios de sabor. Os tomates ainda não são os tais mas já cumprem bem o seu propósito. E, curiosamente, apesar de comer bastantes vezes esta salada ainda não a tinha partilhado, apenas versões diferentes, uma com batatas e outra com queijo fresco. São presença indiscutível na minha mesa e, em outras tantas espalhadas pelos restaurantes, em particular os algarvios, que a servem como acompanhamento de peixe grelhado. Para comer à colherada e à boca cheia, cheia de sabor e cheia de vitaminas.

Cebola; pepinos, tomate; pimentos verde e vermelho; oregãos (muitos); pitada de sal; fio de azeite e vinagre

Picar tudo e colocar numa travessa. Temperar e deixar repousar uns 20m antes de ir para a mesa. Desta forma os legumes vão libertando aquele sumo que se transforma num molho cheio de sabor. Se preferir bem gelada pode juntar uns cubos de gelo. Costumo colocar pequenas taças individuais na mesa que cada um enche à sua vontade e come de colher, comer com garfo não vale.

Uma Viagem no Tempo Quente

Ontem a noite estava quente, muito quente, 20ºC. Eram 9 da noite e saímos para irmos ao Ecoponto. Cheirava a Verão e demos uma pequena volta pelo bairro. As árvores outrora despidas de cor estavam agora cheias de folhas verdejantes. Os canteiros estão cheios de flores, cheiros e cores. Senti o cheiro a terra acaba de regar e voei para bem longe. Inspirei novamente o ar quente e sinto que tenho 10 anos. Uso o meu vestido preferido do Verão, branco, de alças que atavam com lacinhos em cima dos ombros, e, com uma fita rosa aos quadrados muito fina por debaixo do peito. Era o meu vestido de princesa. Sob o olhar atento da minha avó brinco na rua, mas, não estou sozinha. É noite, e, depois do jantar velhos e novos saem para a rua. Trazem cadeiras e pequenos bancos de madeira, forrados com linóleo e preso com tachas douradas dos lados. Nós os mais pequenos sentamo-nos nas escadas, nos beirais das portas, e, escutamos o tanto que aquelas senhoras já crescidas têm para contar. Histórias de vidas, com vidas, sobre o tempo, os campos semeados, os animais, a fonte, as bruxas, as festas, as comidas, o fumeiro, a missa. Fecho os olhos, expiro o ar quente, e, com muita pena minha os beirais das portas estão vazios. Demos a volta e regressamos a casa. Eu, senti umas saudades enormes desse tempo cheio de histórias com sabores e saberes.

E porque o calor pede comidas mais leves e frescas deixo a sugestão de uma simples salada feita com produtos locais. A senhora da banca disse-me com toda a honestidade que os tomates ainda são de estufa, os outros ainda estão verdes, mas rematou: “já são muito saborosos”. Pois são. E, sumarentos. Pepino e queijo fresco picados. Tudo envolvido em muitos oregãos bem perfumados e um fio de azeite.

Bom fim-de-semana.

Quase quase à Jamie Oliver

Por vezes, entre a publicidade, GIGANTE, deste e daquele canal, lá consigo apanhar o Mr. Oliver na sua cozinha. Certo é, que, ainda não consegui perceber quando nem a que horas passa o programa, um dia percebo. Consigo notar o seu grande fascínio por pancetta, que é como quem diz… toucinho? Ele mistura vigorosamente as suas saladas com a dita cuja, que frita até ter aquele aspecto crocante e que no final recebe ainda toda aquela gordura como tempero. Toucinho não é bem coisa que more cá em casa, e, por isso, há dias, naqueles de sol em que voltamos à varanda, fiz esta salada com maçãs e bife da vazia, temperado de sal e pimenta moída no momento e salteado em azeite e alhos. Usei o azeite da carne para temperar e ainda oregãos. Ah, quase me esquecia, e, coentros. Assim, simples, tão simples quanto deliciosa. Já agora um agradecimento à Sr.ª do talho que me arranjou uns bifinhos bem tenros.

Calzone de Ovo

Calzone é um prato da culinária italiana, muitas vezes referido como uma pizza recheada. Consiste em um disco de massa igual à da pizza, redondo, dobrado ao meio formando uma meia-lua e recheado com queijo muçarela, parmesão ou ricota, molho de tomates, verduras ou legumes e carnes processadas como linguiça, presunto ou lombo defumado. A massa é selada pela beirada, pincelada com gema de ovo e tradicionalmente assada em forno.

Depois da descrição de Calzone penso que só me falta mesmo a farinha para cumprir todos os requisitos. Tudo o mais foi cumprido. Formato meia lua, recheado com legumes, neste caso folhas verdes, frango e parmesão.

E era só isto que queria partilhar, uma forma diferente de comer ovos. Alimenta e fica bonito no prato. Have a nice day!

P.S. Para o caso de sentirem a minha falta deixem-me que diga apenas isto: 30ºC lá fora e 22º dentro de água… estou no ir que a maré está vazia, perfeito para uma bela caminhada.

Queijo Fresco e Folhas Verdes em Base Crocante

Hoje apresento mais uma sugestão para fazer com a massa do Artisan Bread. É de facto uma maravilha termos a massa sempre ao dispor no frigorífico. E, tentando fugir do queijo, quis fazer algo menos calórico. A solução foi esticar um pedaço de massa o mais fino que consegui, pois gosto de massa fina, e, levar ao forno a 220ºC até estar dourada. Assim simples, sem nada. Depois deixar arrefecer. Colocar por cima uma mistura de folhas verdes, queijo fresco e temperar de azeite e pimenta. Umas boas entradas para receber amigos ou refeições preguiçosas e solitárias.

Hoje é Dia de Comida com Ar Saudável…

…os doces voltam amanhã. O calor anda por aí e tem-se feito sentir verdadeiramente na pele. Apetecem coisas frescas e leves e comida de forno não será certamente das opções mais escolhidas nesta altura do ano. Mas, quando há peixe fresco para assar e se pretende um contraste de temperaturas esta salada é uma excelente opção e combina muito bem, fazendo mesmo esquecer o calor que faz lá fora enquanto o forno está ligado. Aqui fica mais uma sugestão para uma salada fresca e absolutamente deliciosa. Aconselho vivamente.

Ingredientes:
Batatas
Feijão verde
Pepino
Tomate
Azeite Vinagre
Oregãos
 

Cozer as batatas e o feijão verde num pouco de água com sal. Depois de cozidos escorrer a água e deixar arrefecer. Numa taça colocar o pepino e o tomate picado. Envolver as batatas e o feijão. Temperar de azeite, vinagre e muitos oregãos.

Salada Fria de Espirais e Pouco Mais

E, pouco mais há a dizer. Sem truques, sem segredos ou quaisquer pós mágicos. A sugestão é uma salada fria de espirais com atum, pepino e tomate, com oregãos, azeite e vinagre, que, na medida certa e há temperatura correcta refrescam e aconchegam a barriga. Afinal há um pequeno truque, ou talvez não. Cozam a massa em água, sal e 1 folha de louro até estar al dente. Numa travessa colocar no fundo azeite e temperos a gosto. Escorrer bem a massa e envolver no azeite. Deixar arrefecer e só depois juntar os restantes ingredientes. Assim a massa não ficará colada enquanto arrefece.

Salada Algarviada

Por aqui não há receita mas confesso que me inspirei numas batatas com pepino da Sofia. Depois foi só juntar mais 2 ou 3 coisas que fazem desta salada a minha preferida. É típica do Algarve e Alentejo, sem as batatas e a cenoura claro,  e nesta altura do ano em que os tomates enchem as bancas do mercado há que levá-los para casa e saborear enquanto os há. Melhor se for com oregãos… muitos oregãos.

Ingredientes:
Batatinhas cozinhas
Cenoura
Pepino
Tomate
Cebola doce
Oregãos
Azeite
Sal
 

Cozer as batatas e as cenouras. Cortar todos os ingredientes em pequenos pedaços. Temperar a gosto e acompanhar com o que apetecer. Se pretender a salada ainda mais fresca adicionar água fria e umas pedras de gelo.

No Tempo das 4 Estações


E, porque a salada de hoje tem frango salteado em azeite e alhos que foi misturado numa taça generosa de alfaces, laranja, pepino, tomate e azeitona, e, bem colorida ao jeito da estação em que nos encontramos deixo-vos com uma história sobre um tempo em que cada estação do ano tinha o seu tempo.

Lembro-me do tempo em que o ano tinha 4 estações, e, lembro-me perfeitamente de as aprender a escrever com letra maiúscula. Segundo me constou agora são com letra minúscula. Perdoem-me os experts, inventores do tão afamado Acordo Ortográfico, mas, comigo encaixa a velho ditado “Burro velho não aprende línguas”.

Na vila onde cresci a Primavera era esperada com muita ansiedade.

Em Fevereiro despontavam os raios de sol sob um céu azul lindo. Dias ainda de um Inverno quase sempre gelado onde por vezes o sol espreitava. Hoje olho para o mesmo céu e não lhe encontro aquele azul brilhante. Talvez sejam os meus olhos.

Março… Por esta altura as amendoeiras vestiam-se de branco e rosa e a vila ganhava mais um pouco de vida. Há praça chegavam as carreiras – autocarros – com turistas. Lembro-me de ouvir “La Isla Bonita” da Maddona e de não perceber patavina do que a senhora cantava mas simpatizava com ela porque sabia dizer umas palavras em português. Primavera era sinónimo de ir com a minha avó pelo caminho de ferro, já na altura desactivado, e ter visto pela primeira vez 1 ovo ainda sem casca. Um amarelo-laranja muito vivo envolto numa fina camada branca muito macia. Diga-se que a galinha tinha sido morta pouco tempo antes. Primavera era ainda sinónimo da chegada das andorinhas, eram tantas que algumas acabadas de nascer caíam dos ninhos. Ainda me lembro daqueles corpos franzinos e rosados sem penas e ovos minúsculos pelas beiras das casas.

O Verão era a momento mais esperado do ano. Não conheço os costumes de todo o interior de Portugal mas  por lá o mês de Agosto era uma festança com a chegada dos emigrantes nos seus  carros cheios de música de bailarico. Na vila os carros não eram muitos, pelo que, mal os filhos regressavam à terra havia um movimento e uma vida fora do normal. O seu regresso era tão ansiado que tinham acesso à zona central da praça e o Padre abençoava-lhes os meios de transporte.

Verão era sinónimo de vizinhas que se juntavam à porta umas das outras em amena cavaqueira. Era ir buscar água à fonte e molhar as mãos naquele enorme tanque de pedra. Era ver as senhoras sentadas em mochos – pequenos bancos de madeira – e outras em bancos desdobráveis com riscas, eu sentava-me nas escadas vermelhas da Marquinhas. Hoje penso como era possível estar ali sentada, com aquelas senhoras, num passeio que tinha como limite a estrada, e, não havia o barulho de fundo dos carros, também, não os havia.

O último dia de festa era o dia rei. O fogo preso era a estrela da festa e confesso que nunca vi esta arte em outro sítio. Para quem não conhece o fogo preso é uma construção de madeira, canas e pólvora, com formas e cores muito bonitas. O que mais me impressionava era sempre o homem na bicicleta, que, quando chegava o fogo até ele  pedalava. Mas, o momento alto era a chegada do fogo a uma espécie de pregaminho que se desenrolava e tinha a Santa Padroeira da terra.

Outono, Setembro, escola e o cheiro doce de umas lapiseiras que havia na altura. As pontas tinham um plástico branco onde estava a ponta do lápis e lembro-me que encaixavam umas nas outras. Os cadernos eram pequenos e com linhas duplas. Na capa tinha uns bonecos perfeitos, havia o menino que tocava flauta e a menina com vestes  a fazer lembrar “Uma Casa na Pradaria”. Era altura de tempo frio, de jogar ao berlinde,  fazer o magusto e beber licor de canela. Sim, licor de canela, se era alcoólico não sei nem me lembro, mas, era bom e nunca mais o bebi em lado algum.

No Inverno vinha frio, muito frio. No meu tempo, nesse tempo, roupa que ficava na corda durante a noite, estava de manhã dura que nem uma pedra e bem direitinha. Nesse tempo máquina de secar roupa era sinónimo de roupas penduradas pelas cadeiras frente à lareira para secar. Era pegar num pijama lavado e sentir o cheiro a fumo misturado com sabão de barra azul e branco. Era altura de botijas de água quente e soquetes feitos pela avó – botinhas de lã-. Tempo de matança do porco, de fumeiro, de cheiro a fumo pela casa, de cozinha com paus de madeira das vassouras penduradas no tecto com chouriças, salpicão, buchos, alheiras e chouriços pretos doces. Inverno eram dias muito pequenos, noites muito grandes que começavam às 4.30 da tarde. Nesse tempo tinha aulas das 9-12 e das 14-16 com intervalo às 10.30 até às 11 e às 4 da tarde já se começava a fazer noite.

25 anos se passaram, mais ano menos ano, desde o tempo que me lembro dos primeiros desenhos na escola primária. Tinha cadernos lisos onde a professora colocava com carimbos as estações do ano, e outras figuras, para pintar e aprender. Continuam a haver 4 estações, mas, aos meus olhos elas não existem mais. Com muita pena minha todas elas são, hoje, apenas uma doce lembrança de quando o tempo era aquilo que o tempo lhe dava e cada desenho que pintava na escola combinava na perfeição com cada estação.

P.S. Obrigado por terem lido até ao fim. Espero que tenham gostado de viajar comigo no tempo do meu tempo.