Alice e Pimentinha para o Lanche

Confesso que ultimamente tenho feito uma passagem silenciosa pelos blogues que acompanho. Por vezes fico com a sensação que já foi tudo dito e nada de novo irei acrescentar, e, para não correr o risco de repetir frases vou em bicos de pés para não fazer barulho.

Tenho acompanhado, com interesse e entusiasmo, o projecto lançado pela Ana, o Convidei para Jantar , e, resolvi participar. Nesta edição foi a Su que escolheu o tema, Personagens de Desenhos Animados.

A escolha é difícil pois nos anos 80 a geração foi brindada com excelentes séries de animação, e, por isso, terei que organizar muitos lanches para os convidar a todos. Mas, enquanto fazia estes biscoitos lembrei-me de duas personagens, uma todos se lembrarão, mas, a outra, falo com muitas pessoas, que, não se lembram dela. Assim sendo e fugindo um pouco da regra, convido a Alice e a D. Pimentinha para o chá, pois ambas o apreciam e fizeram-me muitas vezes companhia nos meus lanches.

Para quem não se lembra a D. Pimentinha era uma senhora muito engraçada que escondia um segredo, ela tinha 1 colher mágica que pendurava ao pescoço. Com ela, conseguia ficar bem pequenina, falar com os animais e observar o mundo de outra perspectiva. O único senão é que não conseguia controlar os seus poderes e as suas transformações surgiam nos momentos mais inoportunos.

Servi uns biscoitos, que, tal como elas, fazem parte da minha infância, os Biscoitos de Canela e um chá. A receita já anda aqui no blogue e é um clássico em qualquer casa.

D. Pimentinha

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Clássicos nos Tempos Modernos 3

30 anos já passaram desde que me lembro de comer Boca Doce. O clássico doce de domingo lá de casa, era feito com o pudim de baunilha e bolachas molhadas em café. Curioso, nem isso me fez criar alguma intimidade com a cafeína, só hoje assisto a tal fenómeno. Cá por casa chego a ouvir “tenho que tomar um café que me dói a cabeça”. Fico sem palavras e sem resposta. Outros tempos. Hoje, véspera de fim-de-semana trago a versão sobejamente conhecida dos 2 pudins com bolacha pelo meio. Como temos novas escolhas, hoje não há bolachas Maria, temos Oreo pelo meio.

Bom fim-de-semana.

Clássicos nos Tempos Modernos 2

Diria antes um clássico pré-histórico.

Muito antes de tudo existir, num reino bem distante, verdejante, chamado Jardim do Paraíso,  já o homem cedia à tentação da maçã. Fruto do pecado dizem alguns.

O clássico de hoje é como se pode ver, ou talvez não, maçã reineta assada em vinho do porto. Depois de assada, retira-se a polpa para uma taça e deixa-se ficar morna. Servir com bola de gelado de baunilha e regar com o molho de vinho.

Diria que é moderno e fica bonito servido nas tacinhas já sem pele. Já para não falar naqueles pedaços embebidos no molho que se misturam com o gelado…

Clássicos nos Tempos Modernos 1

Enquanto criança e adolescente, e nem mesmo quando passei dos 25, não conseguia perceber a mística em torno deste ou daquele sabor, desta e daquela comida. Para mim era comida que alguém fazia e que eu gostava ou não, nada mais. Depois dos trintas, reflicto e concluo, que, o paladar cresce connosco. Se antes ver uma gordurinha na carne era sinónimo de vómito imediato e repulsa, hoje um bom naco de porco preto grelhado com a gordura bem tostada é o que melhor me sabe. Apesar deste crescimento, tripas e afins, gorduras cozidas e nervos não me convencem. Apesar da vinda de novos sabores, novos ingredientes, haverão sempre aqueles básicos, aos quais basta um pouco de imaginação, a que não sabemos dizer não. Infância, pelo menos a minha, cheira a bolo de iogurte, bolo de nesquik, rosquilhas de azeite, bolo preto, económicos e a maizena.

E, porque a maizena tem-se revelado rainha por esta cozinha, este post é dedicado à fiel companheira de muitas pessoas. Ela engrossa molhos, faz bolos deliciosos, biscoitos, e, claro, a tão simples e sempre boa, Papa Maizena.

Se, no meu tempo, era servida branca e adocicada, e, polvilhada com canela, nos tempos modernos ela pode mudar de cor. Basta juntar um pouco de chocolate em pó da vossa preferência e canela em pó. Canela e chocolate formam uma dupla, em minha opinião, imbatível. Deixar engrossar até obter a consistência desejada. Arrefece. Serve-se com chantily e canela em pó.

A partir de agora abro a porta aos clássicos da minha infância, e, que, irão aparecer de vez em quando. Quem tiver ideias para partilhar sinta-se à vontade para o fazer.