Pérolas da Maternidade II

jan13

Ninguém nasce mãe, ou pai. Nem todos o querem ser e nem tão pouco eu sabia se o queria efectivamente. É que uma coisa é brincarmos com os filhos dos outros, outra coisa é olhar para os traços de um teste de gravidez que indica o sim. São muitos nós na garganta, no estômago, desespero, alegria, e, nem quando a barriga cresce se tem bem a noção do que nos espera.

O primeiro abanão para a realidade é quando chega o dia, e, com ele, as perguntas que nos acompanharão para o resto da vida, serei capaz de cuidar de ti? serei capaz de te proteger?

Com o passar dos meses, e dos anos, aprende-se a ser mãe. Descobre-se a infinita paciência que ocupa o lugar da rebeldia de outrora. Se um dia acho que nunca mais têm 6 anos outros tenho em que sou atacada por uma saudade de um tempo que não tem volta.

E sei que estás a ficar crescida. Ainda fazes birras de sono e embalo-te no meu colo. Os meus braços já não te conseguem acomodar mas continuas a ser o meu bebé.

Olho para ti quando adormeces no sofá e encho-te de beijos sem que o saibas. E, antes de te levar para a cama, tento guardar bem o teu cheiro e os teus traços, porque amanhã, quando acordares, vais estar mais crescida, e ainda que a tua essência não mude, outras coisas mudam.

Por vezes quero desesperadamente, e muitas vezes de forma inconsciente, guardar ou registar determinado momento, mas, depressa descubro que me esqueço de tudo.

Vivemos os nossos dias de forma tão intensa que passado uns meses pouco  resta. Vale-nos a tia quando nos visita e que se lembra de coisas que eu me esqueci.

Da mesma forma espero que, apesar da minha falta de memória, toda esta intensidade de viver fique convosco e que um dia sejam vocês a lembrar-me de um tempo que não volta mais.

P.S. Não se deixem enganar pelo sol das fotos, tiradas em Janeiro, numa semana em que as temperaturas rondaram os 21ºC durante o dia e os 17ºC à noite. Depois disso, o sol, tem sido uma miragem. A chuva tem-nos feito companhia dia após dia. São Pedro lá saberá. E a natureza também.

6 thoughts on “Pérolas da Maternidade II

  1. Por cá também houve praia em janeiro com brincadeiras na areia. Agora instalou-se o frio e os dias cinzentos: uma primavera que espreita mas tímida.
    Que lindo texto, o teu.
    Quando o meu filho era pequeno, eu só queria que ele crescesse. Agora com a mana mais nova (7 anos de diferença), desejo que o tempo passe devagar. Acho que com a idade começamos a mudar o nosso ponto de vista em relação a muita coisa.
    Um beijinho.

  2. O V. tem agora 9 anos e frequenta o quarto ano.
    Apesar de ser muito bom ver o quanto ele “cresceu”, os tempos que passaram deixam-me saudades, principalmente quando o vou deixar á escola e ele, com vergonha de ser “gozado” pelos colegas não me dá um beijo, chega-se a mim e diz-me apenas “Até logo mãe”.
    Beijinhos e bom fim de semana.

    Sónia Lopes

  3. É verdade! Não sou mãe mas faço essa pergunta a mim mesma muita vez, já é uma responsabilidade enorme saber que tenho animais que dependem de mim para tudo e para o resto da vida (deles e da minha, que já não me imagino sem cães) quanto mais de um ser humano! os primeiros tempos devem ser muito assustadores, não?
    beijinhos

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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