Snacks…

Cada um educa os filhos como bem entende, e ponto. Ainda assim permito-me a pensar, e a partilhar publicamente, sobre o assunto. Não sendo eu exemplo começo pelo mais básico.

Estamos nos anos 80. Na minha casa não há cereais como agora. Na minha casa e da minha avó há pão, café, leite, manteiga, marmelada de cortar à fatia que acompanha queijo de cabra, doce de abóbora, doce de ginja, geleia de marmelo (o que eu adorava comer fatias de pão com manteiga e geleia…) e sinceramente não me lembro de muito mais. Não há manteigas light, com teores de gordura reduzidos, e coisas assim. Há antes embalagens de Planta de kg e umas embalagens redondas de Pastora. Nunca soube o que era um computador antes de ter chegado à universidade e só tive o meu primeiro com 24 anos. Pode soar estranho mas é verdade. Uma coisa garanto, na minha casa nunca faltava um elástico para saltar, pedras que eram verdadeiros amuletos para jogar à macaca e muitas caminhadas pela serra em busca de tesouros perdidos. Mas, pensando bem, isto aconteceu no século XX e hoje estamos no século XXI, o que muda muita coisa.

O mundo vive a correr. O mundo vive sem tempo neste novo século. Apareceram conceitos importados, palavras que definem modos de estar e acabam por interferir na maneira de ser. Por exemplo, estar no relax ou ir a um Lounge Bar fazem parte desta nova era, e, os quais eu aprecio.

Ainda assim, do alto da minha experiência como criança e como mãe, continuo a acreditar que a obesidade infantil começa em casa e na educação das crianças.

De que adiantam os estudos, sabermos que as crianças obesas em Portugal crescem a olhos vistos, se para onde quer que me vire no Verão, e ainda mais evidente na praia, vejo que o lanche dos miúdos passa por garrafas de Coca-cola e batatas fritas. E, no meio de dias bem quentes trazem tudo isto dentro das suas mochilas East Pak sem uma gota de água fresca.

Gosto de uma boa fatia de bolo, de comer batatas fritas, de um bom gelado, e, felizmente, não aprecio refrigerantes, o que não significa que muito de vez em quando não me apeteça uma daquelas bebidas de marca americana com limão e gelo😉

Não quero parecer puritana, até porque, por vezes, compro batatas fritas para ter em casa, daquelas light sob o pretexto do apenas 95kcal, delicio-me com um bom pastel de nata, eu e elas claro está, e compro bolas de berlim na praia.

Mas o bom senso nunca deve faltar. Porque raio hei-de eu de comprar uma dessas coisas de ligar à televisão e que me prometem manter em forma sem sair de casa? Desculpem, mas, o meu Eu mais profundo não consegue entrar nesta era.

Para mim não existe nada melhor que um bom passeio em família, seja a pé, a correr ou de bicicleta.

Agora o que me parece é que existe uma falta de equilíbrio, por conta do tempo que se pensa que não tem. Logo, é mais fácil a criança ter um computador, jogos de ligar à televisão, jogos portáteis, dinheiro para sair com os amigos e assim os pais têm o seu merecido tempo.

Eu sou a primeira a defender que gosto do meu tempo sozinha, e, que, não me posso esquecer que ele existe. Da mesma forma, também não me posso esquecer que as minhas filhas precisam de mim e do meu tempo, mesmo que isso signifique abdicar ou adiar algo que gosto de fazer. Ser mãe, ou pai, é, em primeiro lugar, saber dar o melhor de si a um ser que procura o seu lugar no mundo e não faz a mais pequena ideia para que servem os planos da Troika.

É obrigação dos pais guiar os filhos. É altura de os pais se equacionarem se realmente não lhes sobram 2 horas por fim-de-semana para estar em família. É o momento de os pais repensarem que o tempo que se gasta a ensinar e transmitir valores é de facto precioso.

Tudo isto para vos dizer que, mesmo sem manual para ser boa mãe, tento fazer aquilo que me parece mais correcto, a todos os níveis.

Por isso mesmo, as minhas filhas estão habituadas a levar para qualquer lado, cada vez que vamos passear, à praia, andar de bicicleta, ect, a sua caixa com cereais. E, hoje, as suas caixinhas vão com elas para a escola 2 vezes por semana. Por norma nunca gostei de cereais com muitos desenhos, daqueles que são mesmo para as crianças, e que têm uma grande quantidade de açúcar. Elas aprenderam a gostar do que há em casa, e, mesmo que de vez em quando ceda um pouco, são sempre elas a fazer-me lembrar que faltam os “de fibra“.

Cada um fará o que entender melhor e esta é apenas a minha opção para com as minhas filhas que até me ensinaram a fazer espetadas de cereais. A imaginação das crianças é fenomenal, as minhas com cereais Fibre One e Cheerios fazem espetadas.

P.S. O blog continuará em modo de publicação automática. Volto logo logo, afinal já tenho saudades. Uma boa semana e obrigado pelas vossas sempre tão simpáticas visitas.

One thought on “Snacks…

  1. Não podia deixar de fazer um comentário… Não posso estar mais de acordo com o que escreveu! Concordo 200%. Tudo começa em casa e é nela que devemos dar o exemplo. E especialmente não deixar a educação das crianças a cargo de terceiros… Obrigado por ter escrito o que me vai também na alma🙂

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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