Métodos de Aprendizagem – Feijão Frade

Existem um sem número de diversos métodos de aprendizagem. Desde aquele estudado na escola, o famoso tentaviva-erro, o castigo, Pavlov, e, não menos importante, senão o mais importante, o saber que chega até nós através de experiências vividas em determinados momentos e que nos marcam para sempre. E, se houve algo que me marcou foi aprender a gostar de feijão frade. Ainda não tinha 5 anos. Estava sentada a uma mesa redonda numa cozinha onde as paredes eram de azulejos bem quadrados e cheios de flores. Na mesa uma toalha de plástico macio e com flores azuis e verdes. À minha direita a minha avó. Mulher corpulenta, que, impunha respeito. Professora primária de profissão usava os métodos de aprendizagem próprios dos anos 70 e 80. Hoje, confesso que alguns desses métodos me parecem fazer falta. À minha primeira recusa em comer os feijões recebi uma ordem seca de “come e cala-te”. Estava em pânico só de ver aqueles bichos no meu prato. Tinha os braços a apoiarem-me a cara há longos minutos, coisa que a minha avó detestava. E, sem mais palavras, de repente apenas senti a minha face direita aquecer e as costas sentiram o frio dos azulejos. Pois é, levei uma daquelas estaladas que me mantiveram motivada para o resto da vida para comer feijão frade.

Se é um método fiável? Não, não o é. Podia ter ficado traumatizada negativamente para o resto da minha vida e viver em consultórios de apoio psicológico por ver feijões frade gigantes a perseguirem-me durante a noite.

Sobrevivi e cá estou eu para contar a história. Afinal o nome deste blog é Sabores com História, e, esta é história do sabor do feijão frade.

Sou apologista do método experimental, experimenta hoje, amanhã e depois, e, talvez um dia se aprenda a gostar. Mas, de facto, é caso para dizer “os tempos eram outros”, oh se eram, e, ainda assim, poder dizer que se teve uma infância recheada de experiências e aventuras como só os anos 80 deram a essa geração.

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2 thoughts on “Métodos de Aprendizagem – Feijão Frade

  1. Olá Lili.
    Em criança, eu era terrivel para comer, não gostava de nada. Bem, o que eu não gostava era mesmo de comer,era uma perda de tempo e nunca tinha fome, já alguns anos mais tarde…………………. 😉
    Lembro-me de ser pequenita e aos domingos á tarde ir á missa com a minha mãe e como ao almoço pouco ou nada comia, durante a missa fazia uma “pequena” birra a pedir pão. Ainda hoje a minha mãe fala nisso em tom de brincadeira, mas na altura não achava grande piada e eu acabava por ficar de castigo. O meu pequeno almoço era quase sempre Nestum com mel, era o que ia comendo melhor e a minha mãe lá fazia o (grande) esforço para o comprar, mas houve um belo dia que entendi por bem que não o havia de comer. Não sei quanto tempo passei em frente ao prato, mas deve ter sido bastante. Depois da minha mãe ter repetido vezes sem conta “Come Sónia!” e eu ter tido outras tantas “Não como!” acabei com a cara esfregada dentro dele (método nada aconselhavel 🙂 ). A partir desse dia nunca mais houve birra, passei a detestar o Nestum (ainda hoje detesto), mas comia tudo!! O unico trauma com que fiquei, foi mesmo ao Nestum,serviu-me de emenda e passei a comer aquilo que me era posto no prato.
    Há alimentos que por uma razão ou outra gostamos menos, ou não gostamos, mas muitas das vezes enquanto somos crianças se não tivermos alguem do nosso lado que seja insistente e persistente, não provamos a maior parte deles e nunca nos vamos habituar ao seu sabor.
    Beijinhos. Sónia

    • Olá Sónia. Curiosamente, noutros tempos, também ia à missa ao domingo, mas era às 10 e depois tinha catequese. Outros tempos. Sempre gostei de comer no geral, mas confesso que a feijoada, a típica do norte, só entrava com litros de água… ainda hoje não gosto daquelas carnes gordas… blhac.
      Também partilhamos traumas alimentares 🙂
      Cá em casa não sugiro que se coma algo que eu também não esteja a comer. Pergunto sempre se querem provar isto ou aquilo, por norma uma experimenta tudo e a outra não é tão aventureira. Gostos que respeito mas ainda assim todos os dias pergunto.
      Beijinhos

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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