Convidei para Jantar…

O projecto “Convidei para Jantar” da Ana já vai na 4ª edição, e, tem sido divertido participar e ver desfilar iguarias. Desta vez, a anfitriã do tema foi a Pami, que decidiu escolher o tema realizadores de cinema. Se há coisa que não sou muito boa é a decorar nomes de realizadores, e, os poucos que sei já estavam ocupados com outros convites. Lembrei-me então de alguém que já conhecia das aulas de português do secundário. Mas, foi na universidade que vi pela primeira vez este filme fantástico.

Nunca me hei-de esquecer que estava na aula prática de Educação Física quando a professora perguntou se alguém sabia o que era “Folclore” . De imediato todos pensamos e respondemos o mesmo, é uma dança tradicional. Foi aí que aprendi que folclore, não é só uma dança, é tradição, é o conjunto de usos e costumes de uma cultura que passam de geração em geração. Eu, tal como os outros, ficamos surpreendidos. Foi então que a professora nos disse: amanhã vamos ver um filme, um filme que retrata folclore.

Chegados ao anfiteatro de imediato nos remetmos ao silêncio. Na grande tela começam a passar imagens a preto e branco. Um filme com aquela voz e músicas características de um filme dos anos 40, um filme para mim perfeito, que me colou à cadeira e me deixou de olhos presos ao ecrã. Uma viagem à infância daqueles meninos que afinal era parecida à minha. O retrato de uma sociedade que mostra as nossas raízes, como se vivia, como falava, como se brincava, os amores e desamores. Silêncio que vamos ver Aniki Bóbó de Manoel de Oliveira, um filme delicioso e que aconselho a ver.

Aniki Bóbó

Fiquei muito contente por tê-lo para jantar e inevitavelmente falamos de si e das suas obras. Eu disse-lhe que gostei muito do filme “Amor de Perdição”. Ainda hoje recordo as cenas finais do filme e toda a história de Camilo Castelo Branco.

Para jantar resolvi inovar com algo simples, e, estando perto do mar iria cozinhar peixe de certeza. Arroz selvagem de tamboril. Não tem que enganar, começar por fazer o arroz ao gosto de cada um e 5m antes de terminar a cozedura adicionar o tamboril e retificar temperos. Deixar ferver uns 5m, polvilhar com coentros frescos picados. Tapar a panela e deixar repousar um pouco antes de servir. Nunca cozinho o tamboril de início pois é um peixe que se desfaz facilmente e fica mole com demasiado tempo de cozedura.

Durante o jantar digo-lhe que irei fazer um post no meu blogue sobre  ele e colocaria o modo como havia preparado o arroz. Hoje, ao fazê-lo, sou arrebatada por uma montanha de saudades de ver estes 2 filmes fabulosos, e, só me ocorre dizer “passarinho tótó”.

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7 thoughts on “Convidei para Jantar…

  1. Menina, mas que jantar!!! Quando for aí também quero ser recebida dessa forma 😉
    Os filmes de Mnuel Oliveira são conhecidos por ter pouca acção. Confesso que não sou muito apreciadora do seu trabalho, mas respeito muito, afinal é Português 🙂 Esse não o conheço, quam sabe um dia me ensinas a gostar dos seus filmes 😉

    Beijinhos e parabens pela participação… excelente 🙂

  2. Eu gosto de Manoel de Oliveira. Ao contrário do meu marido, que não o suporta 🙂 Levei-o a ver Um filme falado e jurei que nunca mais o obrigo a passar por esse sacrifício. Eu, por outro lado, gostei bastante.
    Gostei do teu arroz. Gosto muito de arroz selvagem.
    Beijinhos

  3. Deliciosa a tua participação 🙂
    Eu gosto do Manoel de Oliveira. E de alguns dos seus filmes.
    Uma boa escolha, para enaltecer o cinema português.
    E que belo arrozinho, adoro arroz selvagem 🙂
    Um beijinho.

  4. Olá, antes de mais parabéns pelo blog, não fosse o convidei para jantar ainda desconhecia! Fico contente por teres trazido o Manuel de Oliveira à nossa ronda de jantares! Ao ler as tuas palavras, a maneira como descobriste Manuel de Oliveira, foi encantadora! Pergunto-me porque não mostram este tipo de coisas na escola? Os bons exemplos do que melhor se faz por essas bandas!
    O risotto agrada-me bastante, às raras vezes que faço peixe é também assim num risottozinho maravilha!
    Tudo de bom e felicidades!

  5. Olá, depois de várias tentativas frustadas, lá me ” reconheceram” , a password entrava e dava erro:(
    Engraçado gostares de Manoel de Oliveira… vi esses filmes algumas vezes, e digo, estar sempre pronta para os ver mais uma vez 🙂
    Gostamos de arroz selvagem, achei interessante a ideia de lhe juntar tamboril.
    Que sorte a do teu convidado:)
    Beijinho.

  6. Bem, que escolha tão bem conseguida 🙂 Devemos também lembrar os nossos, apesar de tudo ainda se tem feito bom cinema em Portugal!
    Confesso que não sou muito conhecedora do trabalho de Manuel de Oliveira, mas tenho que ver se mudo isso:)
    Quanto ao arroz, só posso dizer que o acho perfeito, adoro arroz selvagem e deve ficar excelente com o tamboril!
    Beijinhos e bom fim de semana 🙂

  7. Olá!
    Penso que é a primeira visita ao teu blogue, que bonito!
    Obrigada por participares, o Aniki Bobo é o filme favorito da minha mãe, qd estiver em Portugal vou mostrar-lhe o teu post. Gostei tb muito da receita, simples e deliciosa, um jantar perfeito que de certo agradou ao teu convidado!
    um abraço e até breve.

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