Do Dia da Mãe

Sou mãe desde que nasceram as minhas filhas. A partir desse dia, embora ainda estivesse atordoada da anestesia, iria ter dias da mãe para o resto da minha vida numa prop0rção de 365 ou 366 dias por ano. Todos os dias tento ser melhor, aperfeiçoar o meu papel.

Ser mãe é não dormir o sono da beleza, mas, ter filhas que me dizem que sou linda quando acordo.
Ser mãe é ter uns quilinhos a mais, e, ter filhas que me dizem “nós vamos nadar e a mãe vai correr”, gostam de me incentivar 🙂
Ser mãe é vestir aquela roupa que já fica apertada, encolher a barriga, e, as minhas filhas, dizerem que estou “fashion”.
Ser mãe é tonar-se Zen. Aprende-se a respirar correctamente entre ataques de fúria e birras das crianças.
Ser mãe é perder audição quando a lista dos porquês começa a ficar extensa.
Ser mãe é como ser a irmã mais nova do Indiana Jones, pois, quando mudamos uma fralda, nunca sabemos ao certo tudo o que vai acontecer.
Ser mãe torna-nos camaleão. A visão periférica é excepcional.
Ser mãe torna-nos videntes. Passo o dia a dizer “tu vais cair, vais-te aleijar” e ainda remato com “eu avisei”.
Ser mãe é ser ginasta. Farto-me de esticar para chegar ao canto do fundo do sofá para apanhar as bolas.
Ser mãe é ser-se analgésico. O beijinho mágico da mãe cura tudo.
Ser mãe é ser almofada psicológica com braços. Não poderei evitar todas as quedas que possam dar mas terei sempre os braços abertos prontos a ajudar a levantarem-se.

Ser mãe, ser mulher, são uma coisa fantástica. Dá trabalho? Dá. Custa? Custa. Sofre-se? Claro. Quem pensa que sabe tudo está engando. Ninguém nasce mãe, por mim falo. Estou a aprender a ser. Enquanto mãe sei que a vida me vai encarregar de ensinar a arte de o ser. Afinal, ser mãe é crescer no tempo, com o tempo, e, sempre respeitando, que, os outros seres, os nossos filhos, também crescem.

Um amigo disse-me há muito anos atrás que “se a vida fosse fácil ninguém nascia a chorar”. É verdade. Mas, também é verdade que é muito simples fazer uma Mãe sorrir.

Voltarei mais tarde para espreitar as vossas cozinhas.

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12 thoughts on “Do Dia da Mãe

  1. Pois é querida, costumo dizer ao meu Samuel quando o repreeendo, que não existe nenhuma formação que ensine a ser pais ideais. Aprendemos também com os nossos erros e esperamos sempre agir da melhor maneira. É dificil sim, mas compensa quando pedem um abraço e um beijinho 🙂

    Beijinhos para ti e para as tuas bolotas 😉

    P.S- Fico à espera da receita da sobremesa que me parece divinal 🙂

    • OLá Ana. Obrigado pela visita. Por vezes olhamos para os outros e achamos que é tudo mais fácil pois nem sempre as pessoas mostram o que sentem. É sempre bom sabermos que existem pessoas reais dificuldades parecidas e que ser mãe e mesmo isto. Uma aventura.

  2. Desde pequena que folheio as revistas mensais das Seleções. Os meus pais ainda mantêm a assinatura por apreciarem a diversidade de temas apresentados pela revista. Eu, na adolescência confesso que só procurava as páginas das anedotas e das citações. Ainda recordo uma citação – apesar de já não saber a fonte – que dizia o seguinte: “a paciência de mãe é como a pasta de dentes. Espreme-se, espreme-se e sai sempre mais um bocadinho” Hoje sei que isto – e todas as reflexões que apresentas acima – é bem verdade. Revejo-me em todos os pormenores que descreveste. E é tão fácil fazer uma mãe sorrir com um desenho pintado por eles – desde que não seja nas paredes ou no sofá – um postal feito na escola ou com uma flor.
    Um abraço
    Patrícia

    • Temos coisas muito parecidas, e, ler essas mesmas páginas dos livros das Selecções é uma delas. Hoje recordo facilmente de conversas que a certa altura eram uma “seca” e hoje percebo melhor que nunca para palavra. Adorei a citação, é simplesmente fantástica. Um beijinho Patrícia. Vou dar uma volta pelas cozinhas.

  3. Olá, Lily. Ser mãe é isso tudo que escreveste. E não, nunca sabemos tudo. Existem sempre tantas dúvidas. Existirão sempre. O melhor é que, à medida que o tempo passa, vamos aprendendo a lidar com o facto de não sermos perfeitas, de termos limitações. E isso torna-nos mais serenas.
    As fotografias estão lindas, ternurentas.
    Um beijo de dia da mãe atrasado (nem por isso, afinal, são todos 🙂
    Ilídia

  4. Não havia melhor maneira de relatar o que é ser mãe. Fizeste-o na perfeição. Embora discorde da baba de camelo que leva ovos, concordo com o teu texto! E quem tem uma mãe como tu, tem tudo! bjs grandes. Ainda havemos de beber um chá juntas…

  5. Com este post maravilhoso só me ocorre dizer… Adoro ser Mãe!
    Parabéns, tens um blogue lindo, lindo que infelizmente só tive oportunidade de explorar melhor agora… O tempo não estica e se Mãe ocupa muito desse tempo 😉

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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