Travessa de Arroz e Almôndegas em Molho de Tomate e Mozzarella

Cozinhar para crianças com 3 anos nem sempre é fácil, mas, uma coisa eu sei, é uma fase de crescimento e transformção incríveis, e, eu só quero viver cada momento e fazer parte das suas vidas.

Tenho umas mestras em puzzles. Já fazem os de 200 peças sozinhas. Conhecem as peças de cor e salteado, enquanto que, eu, tenho muitas vezes que lhes pedir ajuda. Já têm autonomia suficiente para irem à casa-de-banho. Vestem-se e calçam-se desde o Verão passado. Os discursos são cada vez mais coerentes, atraentes, e, cheios de porquês, já para não falar o quão divertido é ouvir 2 pequenas a conversarem como se já fossem gente grande. Já tomam duche sozinhas, comigo ao lado. Têm um nariz bem apurado, e, gostam de perfumes e cremes. Já me chamam a atenção quando o chão está sujo e o saco do lixo cheio. Sou repreendida se ponho um pé fora do passeio e lembram-me que tenho que ir à caixa do correio. Adoram sapatos e sandálias de salto bem alto, e, quando dou por mim, estão em plena loja descalças a tentarem equilibrar-se em plataformas de 15cm, e, a fazerem poses ao espelho. Tenho que as arrastar de lá com alguma resistência. Conhecem as cores do semáforo e sou repreendida quando passo o laranja.

Ainda não consegui explicar porque o cão faz cócó no chão. Para elas isso é feio, e, acham que o devia fazer na sanita. Interrogam-me porque ele não compra uma. Levam-me até à exaustão dos porquês, uns atrás dos outros até me deixarem sem resposta. E, como se não bastasse, ainda me perguntam porque não tenho a música do Pitbull , a qual já sabem cantarolar num inglês de praia onde apenas se percebe “everything” e “tonight”. Fazem beicinho porque querem voar como as gaivotas. Ficam tristes porque as tartarugas da avó não falam com elas. Preocupam-se que as pernas ainda não estão grandes o suficiente para conduzirem o carro da mãe. Preocupam-se com as flores que precisam de água para serem felizes. Tão pequenas e com tantas preocupações, afinal, para elas, o mundo está por descobrir.

É, de facto, uma fase maravilhosa, e, o seu paladar também está a crescer. Lentamente estamos a progedir. Se uma é afoita e gosta de experimentar tudo, a outra é mais cautelosa em novos paladares. Ainda assim, estamos a melhorar. No início do ano jurei que os cremes de sopa iam acabar, teriam que ver os legumes, saber os nomes e o sabor. Agora é vê-las a comer sopa de grão com cenoura e espinafres. A cenoura ralada tem sido bem aceite em tudo, pelo que, sempre que posso, misturo-a com outros ingredientes, tal como na sugestão de hoje.

Cozinhei umas almôndegas – acho que nenhuma criança lhe resiste – e arroz branco. Numa travessa coloquei uma camada de arroz, uma de cenoura ralada, coloquei as almôndegas, reguei com o molho de tomate e polvilhei com um pouco de mozzarella. 5m em forno bem quente e pronto. Em 40m refeição na mesa, crianças felizes e satisfeitas. Eu sorri, e, tive direito a beijos e abraços com sabor a tomate.

8 thoughts on “Travessa de Arroz e Almôndegas em Molho de Tomate e Mozzarella

  1. Adorei ler o teu texto. Fez-me lembrar de quando eu era criança na altura dos porquês! De quando eu era criança e “roubava” os sapatos de salto da minha mãe!! Fiz um regresso ao passado enquanto lia o teu texto.

    A tua sugestão culinária é muito interessante. Eu não tenho filhos mas ando sempre a ver se consigo encontrar formas de fazer o meu marudo comer legumes!

    Beijinhos

  2. Essas memórias de infância que se vão construindo são deliciosas… para os filhos e para os pais, que vão conhecendo cada dia um pouco mais dos seus filhos. Os meus gémeos têm 5 anos (quase quase 6, como dizem eles), pelo que o percurso já é um bocadinho maior… e para além dos dois serem doidos por dinossauros e por animais, também têm as suas diferenças. Tenho um pouco dado a inovações gastronómicas, e outro que tem, desde os 3 anos, como iguarias favoritas: pesto, “queijo forte”, azeitonas e outros que tais… Pena que os dois ainda dêem muita luta na sopa que não seja passada (rapazes?…). Em comum com as tuas meninas (pode ser o tu?…), o gosto por almôndegas😉

    • Conheço uma mãe de gémeos já bem crescidos, rapazes, que diz que as crianças deviam nascer já com 6 anos de idade, porque assim já eram mais independentes. Alturas houve em que lhe dei razão, mas, há medida que o tempo passa sei que assim não tem encanto, e que, o melhor estaria fora do meu alcance. Mas sim, tenho dias em que só penso porque não arranjam uns namorados🙂 para serem eles a fazerem-lhe as vontades.
      Curioso, uma das minhas também é dada a azeitonas, queijos dos tais, pepino, coentros, bróculos, uma lista bem grande. Já a outra é bem mais esquisita.

  3. Como me revejo …tenho uma saltarica de 3 anos e mais 2 que já passaram por essa idade!!Sei bem o que é tudo o que descreves.Sabe tão bem não é??? Depois de dois filhos esta ÚLTIMA, ainda me deixa abismada e a rir de maneira infantil com muitas das sua saidas inesperadas…São mesmo o nosso melhor!
    Estas almôndegas também não são recusadas aqui por casa e hei de servi-las assim, ainda que eles prefiram com esparguete para salpicarem se todos de molho de tomate e fazerem aqueles barulhos a sorverem a massa.

    Bjoka
    Rita

    • Agora que falas no esparguete fiquei com a sensação que já vi isso no teu blogue. Ainda pensei no esparguete mas tive medo que secasse no forno. E, o esparguete aqui em casa não pode ser servido a todo o comprimento… depois de estar no prato corto em pequenos pedaços com a ajuda de uma tesoura. Rápido e eficaz😉

  4. Ainda não sei o que é mais delicioso, se o texto ou a travessa. Revi-me na tua descrição por completo mas no singular feminino. A minha pequenita fez sábado 4 anos e quer parecer-me que é tão atrevida e tagarela como as suas duas. As crianças fazem as nossas delícias. Depois crescem e já não são só nossas. Pertencem ao mundo. Isto é um pouco assustador.Mas podemos continuar a paparicá-las com os nossos cozinhados de vez enquando. E estes pratos constituem memórias de infância muito significativas (apercebemo-nos disso mais tarde).
    Quando fizer almôndegas com arroz lembra-me-ei de si e das suas meninas que estão a descobrir o mundo.
    Um abraço
    Patrícia

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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