Um Pudim Panna Cotta

Uma receita fácil e prática. Agrada a todos, mesmo aqueles, que, lhe chamam pudim. Parece um pudim mas o travo das natas não deixa enganar. Ainda assim, resolvi alterar a receita original e misturar Farinha Custard e caramelo. Deu-lhe um travo muito suave a baunilha e um amarelo pálido que combinou com os dias finais de Abril. E, como a maior parte dos pudins, tinha caramelo. O toque final perfeito, mais amargo, para combinar com o sabor das natas.

Ingredientes: 1 pacote de natas frescas (200ml), 300ml de leite m/g, 50gr de açúcar, 3 folhas de gelatina, 1 colher de sopa rasa de Custard Powder, caramelo líquido de compra

Colocar as folhas de gelatina de molho em água fria 5m. Colocar as natas e 250ml de leite num tacho e colocar no fogão em lume brando. Numa tacinha misturar o açúcar e a Custard Powder. Aos poucos adicionar os 50ml de leite até obter um creme liso e sem grumo. Misturar ao leite que estão ao fogo e mexer até levantar fervura. Apagar e juntar as folhas de gelatina escorridas. Mexer bem. Untar 4 ramequis com caramelo líquido – usei de compra – , coar a mistura e distribuir pelos ramequis. Deixar amornar e levar ao frigorífico 6h. Fiz de véspera. São deliciosos.

Fonte: Sabores de Canela

Um Pudim Panna Cotta

Uma receita fácil e prática. Agrada a todos, mesmo aqueles, que, lhe chamam pudim. Parece um pudim mas o travo das natas não deixa enganar. Ainda assim, resolvi alterar a receita original e misturar Farinha Custard e caramelo. Deu-lhe um travo muito suave a baunilha e um amarelo pálido que combinou com os dias finais de Abril. E, como a maior parte dos pudins, tinha caramelo. O toque final perfeito, mais amargo, para combinar com o sabor das natas.

Ingredientes: 1 pacote de natas frescas (200ml), 300ml de leite m/g, 50gr de açúcar, 3 folhas de gelatina, 1 colher de sopa rasa de Custard Powder, caramelo líquido de compra

Colocar as folhas de gelatina de molho em água fria 5m. Colocar as natas e 250ml de leite num tacho e colocar no fogão em lume brando. Numa tacinha misturar o açúcar e a Custard Powder. Aos poucos adicionar os 50ml de leite até obter um creme liso e sem grumo. Misturar ao leite que estão ao fogo e mexer até levantar fervura. Apagar e juntar as folhas de gelatina escorridas. Mexer bem. Untar 4 ramequis com caramelo líquido – usei de compra – , coar a mistura e distribuir pelos ramequis. Deixar amornar e levar ao frigorífico 6h. Fiz de véspera. São deliciosos.

Fonte: Sabores de Canela

Bolo Salgado – Bôla Fácil

Fácil de fazer. Fácil de comer. Adorada pelas crianças da casa que repetiram vezes sem conta o bolinho, como lhe chamaram. Acompanhada de uma sopinha é uma refeição perfeita.

Receita da Duxa. Troquei apenas 1 dos ingredientes pois estava a terminar o prazo, omiti o açúcar e acrescentei oregãos secos. Ficou com o travo a pizza.

Cup Medidor de 250ml

Ingredientes: 2 cups de farinha com fermento , 4 ovos tamanho L, 1 cup de sumo de laranja, 1 iogurte natural + 1 iogurte grego natural açucarado, Pitada de sal fino

Ligar o forno a 180ºC. Bater os ovos até estarem fofos e volumosos. Adicionar os iogurtes e bater mais um pouco. Juntar o sumo e o sal e misturar bem. Por fim adicionar a farinha e bater mais um pouco.

Num tabuleiro com 30×20, mais pequeno será melhor, untado, colocar metade da massa, rechear a gosto e colocar a outra parte da massa. Vai ao forno cerca de 30m. Deixar arrefecer na forma, depois desenformar, e, colocar numa rede.

1º Banho do Ano com Maçãs

Tudo começa com a mesma frase: “É só os pés!”. Mas, rapidamente os pés passaram a pernas, calças ao sol, t-shirts molhadas, baldas de água e muitas gargalhadas. Por fim já só haviam cuecas, ainda que molhadas, banhos até ao pescoço, areia, muita areia, e, um sol que chamava por nós e convidava a banhos de sol e mar. A água estava calma e cristalina. Eu, deixei-me ficar, fiquei sentada a observar, e, a comprovar, mais uma vez, que é preciso muito pouco para termos crianças felizes.

Enquanto ouvia os risos já sabia o que ia ser a sobremesa para o almoço.

Num ritual já conhecido pelas mais pequenas, pedem-me sempre para ajudar, e, eu deixo. Lavamos, eu desencaroço, e, elas colocam uma colher de sopa de canela e açúcar em cada maçã. De seguida rego cada uma com um pouco de vinho do Porto e coloco no forno previamente aquecido a 200ºC durante 15m. Depois desligo o forno e deixo ficar dentro até à hora de servir. Durante todo este tempo tenho 2 técnicas a vigiar as maçãs que me vão perguntando quando podem comer.  É sempre assim, num ritual sempre igual, em que se deliciam com maçãs assadas, por norma 2 cada uma. Eu, espero que o vinho do Porto dê a sua ajuda na hora de fazer a sesta.

Bom feriado.

Comer Tagliatelle… Com Truque

Com o passar do tempo vai-se fazendo luz em algumas das minhas acções do dia-a-dia. Recentemente fiz uma descoberta. Para mim, uma grande descoberta. Há medida que crescemos vamos partilhando cada vez mais daquilo que há na mesa. Até agora, comer esparguete  era sinónimo passar alguns minutos a partir cada pedaço, em vários pedaços, para depois então cozinhar. Digamos que, houve também, a nossa fase de voltar à infância, e, comer tudo partido ao centímetro. Já tinha desistido de comer tagliatelle pois partir os ninhos em pedaços não fazia sentido. Fez-se então luz. Cozi habitualmente, água e sal, e, depois de cozida com uma tesoura cortei em pedaços para quem ainda não consegue enrolar no garfo. Foi como um renascer das cinzas 🙂 . Há para todos os gostos, e, apenas com um gesto tão simples.

Simplesmente Chocolate…

O Inverno chegou, e, com ele, o vento que levou as minhas promessas de ser menos gulosa. Estes pãezinhos de chocolate são divinais. À primeira dentada estava viciada, e depois tive que comer mais 2 para me certificar. Parecia que estava a comer bolas de berlim quentinhas, a massa ficou igual, o recheio de Tulicreme , que se revelou *desastroso no tabuleiro do forno, foi o acompanhamento perfeito. Nem uma bola de berlim me ia saber tão bem.

*o tulicreme rompeu pelos lados de alguns pãezinhos e banhou parte do tabuleiro. Curiosamente não se agarrou à parte de baixo mas apenas dos lados.

Ingredientes: 125ml de leite morno, 30ml de vaqueiro líquida, 1 ovo batido, pitada de essência de baunilha, 30gr de açúcar, 3gr de sal, 275gr de farinha T65 Espiga, 5gr de fermento seco.

Colocar todos os ingredientes na mfp pela ordem acima. Escolher o programa que amassa e leveda. Polvilhar a bancada com farinha e as mãos. A massa vai estar um pouco pegajosa. Forrar o tabuleiro do forno com papel vegetal. Dividir em bolas de 60-70gr e esticar com o rolo dando a forma rectangular. Barrar com *tulicreme e enrolar de modo a fechar bem. Colocar 15m no forno ligado a 50ºC. Findo esse tempo retirar do forno e aumentar a temperatura para os 200ºC. Pincelar com ovo batido e colocar no forno os pãezinhos até estarem dourados.

Comer morno com um copo de leite fresco.

*tulicreme provavelmente, existe um método, quer dizer, um chocolate para o efeito, alguém me sabe dizer qual e onde comprar.

Bom fim-de-semana. Afinal parece que é Primavera mas ninguém diria. Brrrr está frio 🙂

Arroz de Pato Colorido

Se bem me lembro não se comia lá por casa. As minhas memórias a saber a pato têm pouco menos de 10 anos. Chegou até mim pelas mãos da Maria, uma pessoa  fantástica e que cozinha muito bem. Achei que estava na altura de fazer o meu arroz de pato. Dei-lhe o meu toque, a minha cor que tanto adoro, açafrão, e, ficou tão bom como o da Maria, apesar de ter sabores bem diferentes. Foi bem-vindo cá por casa e é tão simples de fazer.

Na panela de pressão colocar um pouco de azeite, alhos esmagados, cravinho, noz moscada, louro e pitada de sal. Quando a cebola estiver translúcida colocar o pato cortado em pedaços e deixá-lo alourar um pouco. Adicionar água quente e deixar cozinhar 25-30m. Quando faltarem 10m para o pato estar pronto colocar o arroz a fazer. Água quente, pitada de sal, açafrão e uma conhca de água da cozedura do pato que se retira previamente da panela de pressão. Depois, já se sabe, 1 camada de arroz, 1 camada de cenoura ralada, o pato desfiado e regar com um pouco de água da cozedura do pato. Colocar umas rodelas de chouriça ou linguiça e vai ao forno a 200ºC até estarem assadas.

Tuiles de Côco

Há dias, ainda que raros, em que dou de caras com alguma receita que tem exactamente a quantidade de algum ingrediente que se arrasta no frigorífico. E assim fiz os meus primeiros Tuiles. Já procurei informações sobre estes pequenas, deliciosas, e, crocantes bolachinhas, mas pouco encontrei. Tuiles é um biscoito crocante fino que tem uma forma semelhante a uma telha e cuja receita é de origem francesa. É bastante versátil em várias combinações de ingredientes e pode ser usado nas mais variadas criações culinárias, sobretudo sobremesas. A receita encontrei no blogue das Receitas do Caldeirão da Bruxa Solar, que, no seu post mencionava ter obtido um resultado diferente do original. Estando à distância de um clique, de imeadiato fui até à fonte da receita, o Sabor Sonoro. Não estava à espera de um resultado tão delicioso. Esta é daquelas receitas que nos ensina que simples e rápido podem coabitar no universo das probabilidades com sucesso.

Ingredientes: 3 claras, 80g coco ralado seco – 70g açúcar – 20g farinha T55 – 60g de Vaqueiro Líquida

Bater as claras levemente com um fouet – vara de arames – até formarem apenas bolinhas ao cimo. Depois ir adicionando os restantes ingredientes, 1 a 1, misturando bem entre cada adição. Ligar o forno a 160ºC. Forrar um tabuleiro com papel vegetal e ir colocando 1 colher de chá de massa – capacidade para 5ml. Com as costas da colher alisar bem até obter um disco fino. Como rende bastante, entre cada fornada ia guardando a mistura no frigorífico. Deixar no forno até dourar as beiras. Retirar e deixar arrefecer cerca de 2m no tabuleiro. Soltar cada disco com cuidado para não se partirem. Deixar arrefecer totalmente e guardar em frasco heremético. AVISO: são viciantes, deliciosamente crocantes. Para quem aprecia côco são uma pequena iguaria. Bom fim-de-semana.

A Descoberta e A Simplicidade de Um Pedido

Sou da geração que cresceu na rua, felizmente não tive que passar por infantários nem creches, não que seja melhor por isso, mas, para mim, sinto que pude fazer coisas mais divertidas do que passar os dias fechados entre 4 paredes. Verdade seja dita, na vila, poucos eram os que andavam em creches ou infantários. Nesse tempo havia o que hoje já há muito pouco, pessoas que mudaram gerações, que cuidaram delas, lhes deram de comer, lhes deram colo, as Avós. E, eu, tive a felicidade de poder viver a minha infância junto da minha. Afinal a comida delas é a melhor do mundo e quando chegamos da escola há sempre o lanche à nossa espera preparado com todo o carinho da avó. Nesse tempo, podia jogar ao berlinde toda a tarde. Saltar ao elástico, levar as minhas bonecas a passear, podia ir com as minhas amigas descobrir um buraco nas traseiras do adro da igreja, e, achar que era a passagem secreta para um castelo. Naquele tempo vivia cada aventura de forma tão intensa, que, excepto os cozinhados que sabia serem a brincar, tudo se encaixava perfeitamente na realidade. Nunca brinquei às princesas, preferia vestir o ar de exploradora, de arqueóloga. Munida de pás e baldes achava que podia descobrir o mundo, e, descobri, o meu mundo fantástico de aventuras de criança, onde, trepava árvores, e, coleccionava nódoas roxas de quando aprendi a andar de bicicleta. Colhi ervas e com elas fazia cuidadosamente caldo verde num fogão de plástico branco bem pequenino. Os tachinhos eram de alumínio, e, uma verdadeira preciosidade nos meus primeiros passos na cozinha. Fazia bolos de terra molhada, que, saiam perfeitinhos de uma forma plástica cheia de cores.

De certa forma sinto pena que as minhas filhas não saibam o que isso é, mas, sabem outras coisas que eu com a idade delas não fazia ideia. É bom crescer, é bom evoluir, mas, também é bom podermos fazer coisas simples com as crianças. Apesar de a praia ter as suas virtudes, continuo a achar a montanha um local fantástico para exprimir emoções e respirar ar puro.

Sempre me ensinaram que não se brinca com pedras, mas, hoje, abri excepções. Bastou que uma pegasse numa pequena pedra e descobrisse o plup que fazia ao atirá-la para a água. O que se seguiu foram gargalhadas contagiantes a cada pedra atirada para a água.  Deve ter sido dos momentos com gargalhadas mais poderosas que me lembro, só ultrapassado pelas sessões de cócegas. É tão simples as crianças serem felizes com tão pouco.

Há medida que nos vamos tornando adultos por vezes esquecemo-nos de coisas simples, tornamo-nos demasiado sérios com medo de dar uma simples gargalhada, contemos emoções, e, as crianças ensinam-nos a encontrar o meio termo, ter filhos é, de facto, uma coisa fabulosa. E, quando estamos demasiado concentrados a cozinhar há uma vozinha de fundo que diz: “eu só quero massinha”. Respondo: “massinha com quê?” e então oiço: “pode ser com fiambre?”. Claro que sim, claro que pode. Uma resposta simples de quem já sabe o que quer.

Travessa de Arroz e Almôndegas em Molho de Tomate e Mozzarella

Cozinhar para crianças com 3 anos nem sempre é fácil, mas, uma coisa eu sei, é uma fase de crescimento e transformção incríveis, e, eu só quero viver cada momento e fazer parte das suas vidas.

Tenho umas mestras em puzzles. Já fazem os de 200 peças sozinhas. Conhecem as peças de cor e salteado, enquanto que, eu, tenho muitas vezes que lhes pedir ajuda. Já têm autonomia suficiente para irem à casa-de-banho. Vestem-se e calçam-se desde o Verão passado. Os discursos são cada vez mais coerentes, atraentes, e, cheios de porquês, já para não falar o quão divertido é ouvir 2 pequenas a conversarem como se já fossem gente grande. Já tomam duche sozinhas, comigo ao lado. Têm um nariz bem apurado, e, gostam de perfumes e cremes. Já me chamam a atenção quando o chão está sujo e o saco do lixo cheio. Sou repreendida se ponho um pé fora do passeio e lembram-me que tenho que ir à caixa do correio. Adoram sapatos e sandálias de salto bem alto, e, quando dou por mim, estão em plena loja descalças a tentarem equilibrar-se em plataformas de 15cm, e, a fazerem poses ao espelho. Tenho que as arrastar de lá com alguma resistência. Conhecem as cores do semáforo e sou repreendida quando passo o laranja.

Ainda não consegui explicar porque o cão faz cócó no chão. Para elas isso é feio, e, acham que o devia fazer na sanita. Interrogam-me porque ele não compra uma. Levam-me até à exaustão dos porquês, uns atrás dos outros até me deixarem sem resposta. E, como se não bastasse, ainda me perguntam porque não tenho a música do Pitbull , a qual já sabem cantarolar num inglês de praia onde apenas se percebe “everything” e “tonight”. Fazem beicinho porque querem voar como as gaivotas. Ficam tristes porque as tartarugas da avó não falam com elas. Preocupam-se que as pernas ainda não estão grandes o suficiente para conduzirem o carro da mãe. Preocupam-se com as flores que precisam de água para serem felizes. Tão pequenas e com tantas preocupações, afinal, para elas, o mundo está por descobrir.

É, de facto, uma fase maravilhosa, e, o seu paladar também está a crescer. Lentamente estamos a progedir. Se uma é afoita e gosta de experimentar tudo, a outra é mais cautelosa em novos paladares. Ainda assim, estamos a melhorar. No início do ano jurei que os cremes de sopa iam acabar, teriam que ver os legumes, saber os nomes e o sabor. Agora é vê-las a comer sopa de grão com cenoura e espinafres. A cenoura ralada tem sido bem aceite em tudo, pelo que, sempre que posso, misturo-a com outros ingredientes, tal como na sugestão de hoje.

Cozinhei umas almôndegas – acho que nenhuma criança lhe resiste – e arroz branco. Numa travessa coloquei uma camada de arroz, uma de cenoura ralada, coloquei as almôndegas, reguei com o molho de tomate e polvilhei com um pouco de mozzarella. 5m em forno bem quente e pronto. Em 40m refeição na mesa, crianças felizes e satisfeitas. Eu sorri, e, tive direito a beijos e abraços com sabor a tomate.

Civismo e O Meu Menú Infantil

A caminho do mercado cedo passagem a uma senhora que ia atravessar a passadeira. Sensivelmente 1,60m de atura. Cabelo dourado com fios brancos desenhados. Pelo rosto marcado não lhe daria menos de 65 anos. Indumentária simples. Sim, tive tempo para observar todos estes pormenores enquanto assistia à sua expressão de pavor ao atravessar a passadeira. Aquela imagem de imediato me fez recuar no tempo, muitos anos e muitos kilómetros.

Nasci e vivi até aos 10anos numa vila do interior transmontano, onde, todos se conheciam, as chaves estavam penduradas nas portas, e, a praça central e a igreja eram ponto de encontro de todos. Nesse tempo, nessa vila, eram poucas as pessoas em romaria até às portas da escola primária a levarem as crianças de carro. Também, não os havia. 90% daquelas crianças iam, tal como eu, a pé. Não havia medos, pelo menos, eu nunca o senti. Hoje, esforcei-me por me lembrar onde estavam as passadeiras na vila, e, não me lembro de nenhuma, nem de atravessar alguma no meu caminho para a escola. Não me lembro de a pintar nas aulas, mas, lembro-me que me ensinaram a olhar para os dois lados antes de atravessar e que devíamos ajudar as velhinhas a atravessar a estrada.

Hoje a palavra civismo andou comigo o dia todo. Hoje a palavra selva urbana dominou os meus pensamentos. Hoje, mais do que nunca sei que é imperativo que o código da estrada seja cumprido. Hoje mais do que nunca sei que o código da estrada de nada vale se acharmos que tudo é nosso sem ter respeito pelo próximo, seja em que circunstância for.

Já tenho dito, bom senso não faz mal a ninguém. Mas, nem só esta travessia me fez viajar no tempo. A refeição de hoje fez-me recordar que era, e é, das minhas refeições predilectas. Enquanto vivi nessa vila nem tão pouco o havia congelado, e, o peixe do mar vinha a cada 15 dias. Pois é, além do bacalhau, polvo, fanecas e carapaus pequenos fritos, fui criada a comer mioleira de vaca com ovos mexidos, língua de vaca e frango estufados, carnes assadas na brasa, alheiras, ovos, cabrito assado, borrego, guisado de sanchas, muita sopa da panela de 3 pernas, mão de vaca – blhac – muito grelos, muitas nabiças, muito leite de ovelha e cabra. Um dia voltarei a este tópico com uma lista mais completa pois ainda faltam alguns pratos, os legumes, frutas e os doces lá da terra.

Hoje tenho o mar como horizonte e já nada me prende à terra. Apenas o carinho pelas gentes e pelas tradições. E, como algumas tradições vão sofrendo pequenos retoques, o que antes eram grelos hoje são bróculos e souberam-me como há muito não sabiam. A lição de hoje é sobejamente conhecida, não faças ao outros o que não gostarias de te fizessem a ti, e, mesmo que o façam não devemos responder com a mesma atitude. Respeito pelo próximo, daquele que nasce connosco, e, não daquele que nos é imposto por uma regra. A regra existe para que não nos esqueçamos dela.

Uma Boa Páscoa para uns, Um Bom Domingo para outros. Obrigado por ter lido até ao fim.

Papas de Aveia

Talvez por estar novamente numa fase vivida diarimente a 3 pense diariamente nas maravilhas da maternidade, principalmente quando se é mãe de gémeos. Há dias, uma amiga que soubera recentemente não poder ter filhos, disse-me, que, após ponderar sobre a decisão de fertilização in vitro, optou por não os ter. Disse-lhe que estava triste, até porque cheguei a dizer-lhe que haveria de ter gémeos. Ainda assim, disse-me que o choque já tinha passado e que tinha aceite.

Enquanto falávamos ao telefone, dizia-lhe que as minhas passaram por uma fase em que todos os meses estavam doentes e que agora estavam a melhorar, ao que ela me respondeu: – vês… eu não tenho que passar por isso.

Ser mãe pode ser uma opção, mas, não poder ser mãe é imposto por outros factores, que, para mim, não têm outra explicação que não a científica. Qualquer que seja a opção deve ser respeitada, e, eu respeito-a.

Ser mãe permite-me rebolar na areia sem que me importe com o ar de reprovação dos outros, permite-me ser de novo criança e fazer castelos e pontes de areia na praia.

Ser mãe permite entrar num parque infantil e sentar-me de mansinho num baloiço e andar um bocadinho – ainda que não o deva fazer, e, não o faço se houver crianças – , permite-me estacionar naquele sítio mesmo ao lado dos carrinhos de supermercado que de forma astuta adaptei para 2.

Ser mãe, por vezes, permite-me estar em situações, que, mesmo sendo ridículas me dão algum gozo, como andar numa bicicleta minúscula por entre as pessoas da rua ou até andar numa trotinete com a Hello Kitty.

Ser mãe é preocupar-me com tudo e com nada. E, hoje preocupo-me mais do que nunca em viver de uma forma cada vez mais saudável e em ter energia para começar bem o dia.

Hoje dei a provar *papas de aveia. Recusaram. Não faz mal. Ser mãe é tentar sem medo de falhar. Hoje, aceito isso sem qualquer frustração, afinal não são só elas que crescem, também eu estou a crescer.

*Papas de Aveia. Preparar de acordo com as instruções da embalagem. 1 parte de flocos de aveia para 2 de água. Deixar cozinhar em fogo baixo cerca de 2m. Adicionar leite frio ou quente a gosto até obter a consistência desejada. Polvilhar com canela e adicionar uma colher de compota a gosto.