Alice e Pimentinha para o Lanche

Confesso que ultimamente tenho feito uma passagem silenciosa pelos blogues que acompanho. Por vezes fico com a sensação que já foi tudo dito e nada de novo irei acrescentar, e, para não correr o risco de repetir frases vou em bicos de pés para não fazer barulho.

Tenho acompanhado, com interesse e entusiasmo, o projecto lançado pela Ana, o Convidei para Jantar , e, resolvi participar. Nesta edição foi a Su que escolheu o tema, Personagens de Desenhos Animados.

A escolha é difícil pois nos anos 80 a geração foi brindada com excelentes séries de animação, e, por isso, terei que organizar muitos lanches para os convidar a todos. Mas, enquanto fazia estes biscoitos lembrei-me de duas personagens, uma todos se lembrarão, mas, a outra, falo com muitas pessoas, que, não se lembram dela. Assim sendo e fugindo um pouco da regra, convido a Alice e a D. Pimentinha para o chá, pois ambas o apreciam e fizeram-me muitas vezes companhia nos meus lanches.

Para quem não se lembra a D. Pimentinha era uma senhora muito engraçada que escondia um segredo, ela tinha 1 colher mágica que pendurava ao pescoço. Com ela, conseguia ficar bem pequenina, falar com os animais e observar o mundo de outra perspectiva. O único senão é que não conseguia controlar os seus poderes e as suas transformações surgiam nos momentos mais inoportunos.

Servi uns biscoitos, que, tal como elas, fazem parte da minha infância, os Biscoitos de Canela e um chá. A receita já anda aqui no blogue e é um clássico em qualquer casa.

D. Pimentinha

A Mãe Perfeita e a Perfeita Mãe

A mãe perfeita consegue acordar 2h antes de todos. Toma o seu banho sem ser perturbada, e tem tempo para ir para a cozinha preparar o pequeno-almoço para a família. A mãe perfeita, consegue deixar os filhos na escola, vai trabalhar, na hora de almoço vai ao ginásio e quando sai do trabalho ainda consegue passar no supermercado para fazer as compras para o jantar. A mãe perfeita consegue estar impecável quando o marido chega a casa, como que acabada de sair de um spa. A mãe perfeita não tem nódoas na roupa nem as marcas dos pés nas calças de quando andaram ao seu colo.

No meu mundo a mãe perfeita não mora na minha casa. Acorda todos os dias a arrastar-se da cama, a ouvir “já posso ir para a tua cama”. Olha-se ao espelho, vês as olheiras, disfarça-as, o cabelo… ui. Continua a arrastar-se pelo corredor, chama 10 vezes o nome de cada criança para tirarem as fraldas e pergunta o que querem comer. Tenta lembrar-se das 5 opções de escolha que possam agradar ao pequeno almoço e espera a decisão enquanto deambula pela cozinha a arrumar loiça.

Decisão tomada. Preparam-se os respectivos pratos enquanto se apanham as fraldas que ficam no chão, se abrem janelas, se apanham 400 peças de puzzles do chão e se pensa no almoço.

Mesmo não sendo a mãe perfeita, oiço os melhores elogios do mundo depois de uma boa dose de mimos, e, um prato de carne à bolonhesa, e, ainda assim, sentir que sou uma perfeita mãe. Cabelo desalinhado, marcas de sapatos nas calças, ter que apanhar um fio de missangas que se parte às 9 da noite, registar queixas e choros, e, ainda assim, ter uma filha tão crítica que me diz que não sou fashion quando ando de sapatilhas.

No meu mundo, por vezes, calço sapatos de salto alto e passeio na rua com as nódoas na roupa. No meu mundo a minha mala parece uma mala de viagem, com tudo o que se possa imaginar lá dentro, o que é bom, funciona para exercitar os braços com tanto peso. No meu mundo as minhas filhas já dizem bom dia às ervas aromáticas que estão à porta e gostam de ir ao mercado, levam a sua mini cesta, pedem morangos às senhoras das bancas, e, mexem nos olhos dos peixes.

No meu mundo tenho abraços com mãos sujas de baba e com macacos acabados de tirar. Tenho beijos cheios de ternura e pintados de fruta.

No meu mundo, a palavra tempo é sempre curta, mas, o coração de uma mãe é do tamanho do mundo onde o tempo não tem hora marcada, e, onde, mesmo não sendo a mãe perfeita sou perfeitamente feliz, e, isso, é quanto me basta.

Brioche de Iogurte

Todos temos hábitos, pequenos rituais. Até lhes posso chamar manias, mas, essas são para mim, aqueles hábitos que nos caracterizam e que por vezes tiram do sério quem está perto de nós. Eu, tenho algumas. Não gosto de ver água no lava-loiça. Os objectos têm uma posição específica e várias vezes dou por mim a olhar em redor e ver se está naquele preciso local, milimetricamente desenhado para ele. Não gosto de cabelos no chão, verifico 1987 vezes as janelas e portas antes de dormir, num ritual frenético que pode ter intervalos de 15m entre cada nova revista.  Sim, quer dizer que vejo e revejo vezes sem conta portas e janelas. Tenho uma paranóia acentuada com as chaves de casa e do carro. A coisa atenuou um pouco quando resolvi juntar as chaves de casa e do carro no mesmo porta-chaves. A minha mala é revistada vezes sem conta num passeio de 30m para ver se as ditas cujas estão lá. À mesa as coisas repetem-se um pouco mas com menos intensidade, pois tudo tem que esta devidamente alinhado, pratos, talheres, copos, etc. Ser mãe muda-nos, e, a mim ajudou-me a ser menos certinha, com tudo alinhado. Ensinou-me que o chão vai ficar sujo com comida, as paredes, a roupa, os móveis, nada escapa às brincadeias de 4 mãozinhas cheias de energia. É bom, isso é muito bom, reconheço. E, porque há novos hábitos, partilho mais uma vez o Brioche de Iogurte que já se tornou um clássico cá por casa. Fica sempre bem, fácil de executar e ninguém lhe resiste ao seu miolo macio.

Clássicos nos Tempos Modernos 3

30 anos já passaram desde que me lembro de comer Boca Doce. O clássico doce de domingo lá de casa, era feito com o pudim de baunilha e bolachas molhadas em café. Curioso, nem isso me fez criar alguma intimidade com a cafeína, só hoje assisto a tal fenómeno. Cá por casa chego a ouvir “tenho que tomar um café que me dói a cabeça”. Fico sem palavras e sem resposta. Outros tempos. Hoje, véspera de fim-de-semana trago a versão sobejamente conhecida dos 2 pudins com bolacha pelo meio. Como temos novas escolhas, hoje não há bolachas Maria, temos Oreo pelo meio.

Bom fim-de-semana.

Iogurte “Danone”

Resolvi experimentar usar 2 iogurtes naturais em vez de 1. Não só conseguir anular aquele gosto que por vezes fica do leite em pó como ainda obtive aquele gosto dos iogurtes naturais copo de vidro da Danone. Apenas a textura ficou mais macia.

Ingredientes: 2 iogurtes naturais, 1l de leite m/g, 60gr de açúcar branco, meia medida do copo de iogurte com leite em pó

Numa taça misturar o leite em pó com o açúcar e os iogurtes. Misturar bem até obter um creme liso e sem grumos. Adicionar ao leite morno e misturar bem. Colocar na iogurteira 10h. Findo este tempo colocar no frigorífico e consumir depois de 3 a 4h de frio.

Tarte de Limão com Merengue

Por vezes sinto-me um limão. Lindo, irresistível, perfuma irresistivelmente as coisas que toca, mas, depois, vem a outra face, amargo, que nos faz fechar os olhos e encolher os ombros, mas, ainda assim, presente. E, só por isso, eu podia ser uma tarte de limão. Como nem ele nem eu somos doces valha-nos o leite condensado. E, porque, é quando estou amarga que mais me apetecem doces sai  uma Tarte de Limão.

Todas as desculpas são boas para comer um doce… Bom fim.de.semana

Massa: 250gr de farinha; 125gr de manteiga bem fria cortada em pedaços; 1 colher de sopa de açúcar em pó; raspas de 2 limões; 1 ovo;  30ml de água fria.

Misturar a farinha, açúcar e raspas com a manteiga até formar migalhas. Adicionar o ovo e a água. Não amassar demais, apenas ligar a massa. Enrolar em película e descansa 20m no frigorífico. Findo o tempo esticar a massa e forrar uma tarteira com cerca de 22cm de diâmetro. Picar o fundo com um garfo e vai ao forno cerca de 10m a 200ºC até dourar.

Recheio: 1 lata de leite condensado; 4 gemas; 60ml de sumo de limão

Misturar tudo e colocar na base já cozida. Volta ao forno 10m para ficar firme.

Enquanto isso bater 4 claras com 4 colheres de sopa de açúcar em pó e uma pitada de fermento Royal até obter um merengue liso e com picos suaves. Espalhar o merengue por cima da tarte e levar ao forno a 175ºC até dourar. Deixar arrefecer dentro do forno, caso contrário o merengue abate. Assim que estiver morno-frio levar ao frigorífico pelo menos 3h. Mas, ficará melhor se passar a noite no fresquinho.

Bom e Bonito… dos Açores para o Continente

Hoje não será certamente o melhor dia para exaltar Nacionalimos ou Patriotismo,  Eça fá-lo-ia bem melhor, até porque, o dia é celebrado internacionalmente. É dia da Mulher. Apesar de não concordar com ele, não o poderia apagar do calendário nem do sentido que dá ao post, não pelo internacional, mas pelo contraste com o nacional. E, se, o que é nacional é bom, o Atum Bonito dos Açores, em azeite, é uma iguaria sem igual, para mim claro. Lombos fartos, inteiros, rosados e com umas lascas inteiras. Perfeito no ponto de sal. Delicioso. Para mim, faz toda a diferença em qualquer prato. Simples como este, esparguete apenas cozido em água e sal. Depois de cozido envolvido em azeite e especiarias da Margão para Massas, e, a acompanhá-lo o delicioso atum do Açores.

Saudades de Ti

Nunca pensei alegrar-me tanto com a tua chegada. Avisaram-me que virias. Não acreditei, não quis acreditar, pois sabia que a tua visita era curta demais para te poder tocar, sentir, cheirar. Nesse dia o céu perdeu a cor. Num caloroso, e, apertado abraço, deixou para trás aquele azul brilhante, cintilante, e, deixou-te entrar. Abriu as portas às tuas cores e embalou-se no teu cinza suave. Chegaste de mansinho, tão de mansinho, que, julgava ser apenas ruído de fundo, mas, era a tua presença. Desejei que pudesses ficar mais tempo, muito mais tempo. E, nesse dia saí para a rua à procura de um sinal de ti. Encontrei-te adormecida junto à entrada da casa. Toquei-te, sorri e senti-me mais feliz do que nunca por te ver. Ainda chamei teu nome na esperança que ficasses mais tempo, mas tu já nada disseste. Espero por ti no sítio do costume sem hora nem data marcada mas de preferência para ontem. Até já Chuva.

Torta de Claras

Quando sucumbimos ao pecado da gula é isto que aparece no prato.

Na tentativa de poder comer sem pensar nas calorias, claras em castelo parecem ser uma boa opção. E, são. Mas, apenas quando se conhecem os pequenos segredos da pastelaria. Papel vegetal pode significar que não precisa de untar, para mim claro, mas precisa. Ainda assim, correu bem, aliás, muito bem. Recheio de Maizena e Custard e polvilhado com côco ralado.

Clássicos nos Tempos Modernos 2

Diria antes um clássico pré-histórico.

Muito antes de tudo existir, num reino bem distante, verdejante, chamado Jardim do Paraíso,  já o homem cedia à tentação da maçã. Fruto do pecado dizem alguns.

O clássico de hoje é como se pode ver, ou talvez não, maçã reineta assada em vinho do porto. Depois de assada, retira-se a polpa para uma taça e deixa-se ficar morna. Servir com bola de gelado de baunilha e regar com o molho de vinho.

Diria que é moderno e fica bonito servido nas tacinhas já sem pele. Já para não falar naqueles pedaços embebidos no molho que se misturam com o gelado…