O Mito do Bolo de Laranja

Desmistificado. Bolos de Laranja nunca foram o meu forte. Apesar de gostar muito, a avó M. fazia um mesmo bom, e eu, fui adiando. A avó M. hoje já não o faz porque as forças já não são as mesmas. Claro que fiz experiências, mas nada que merecesse partilhar a descoberta. Há dias na ronda por alguns blogues vi o da  Ana do Pitada Gulosa. O aspecto e o facto de não precisar de balança foi motivo para ficar na lista, e, não tardou. Adaptei-a ao modo tradicional e alterei-a um pouco. À medida que ia seguindo os ingredientes e vi que levava 250ml de óleo, e na mesma medida e mais um pouco de açúcar, mudei de estratégia. Arrisquei, do género, sem medos, e, modéstia à parte, funcionou tão bem, que penso fazer mais umas alterações e substituições numa próxima.

Cup medidor com capacidade para 250ml

Ingredientes: casca de 1 laranja, 60ml de sumo de laranja, 80ml de leite, 4 ovos, 2 cups de farinha com fermento, 100gr de açúcar, 100ml de óleo de girassol, 1/2 de açúcar, açúcar e canela em pó a gosto

Ligar o forno a 175ºC. Numa picadora colocar o açúcar e as cascas de laranja e triturar até ficar bem misturado. Bater as claras em castelo e reservar. Bater as gemas com o açúcar aromatizado até estar cremoso. Juntar o óleo e bater mais um pouco. Misturar o leite com o sumo e alternar com a farinha e as claras em castelo. Este último passo deve ser feito com uma colher-de-pau. Untar uma forma de bolo inglês, polvilhar com açúcar e canela e vai ao forno. Não sei precisar tempo, mas pelo menos uns 25m. Depois é ir controlando para não secar.

Notas finais: bem perfumado, crocante, macio, viciante. Ainda assim, penso que se usar 175ml de manteiga deva ficar muito melhor. Apenas costumo usar óleo nos bolos de iogurte e já considerei fazer a experiência com manteiga. Alguém desse lado já experimentou?

Clássicos nos Tempos Modernos 1

Enquanto criança e adolescente, e nem mesmo quando passei dos 25, não conseguia perceber a mística em torno deste ou daquele sabor, desta e daquela comida. Para mim era comida que alguém fazia e que eu gostava ou não, nada mais. Depois dos trintas, reflicto e concluo, que, o paladar cresce connosco. Se antes ver uma gordurinha na carne era sinónimo de vómito imediato e repulsa, hoje um bom naco de porco preto grelhado com a gordura bem tostada é o que melhor me sabe. Apesar deste crescimento, tripas e afins, gorduras cozidas e nervos não me convencem. Apesar da vinda de novos sabores, novos ingredientes, haverão sempre aqueles básicos, aos quais basta um pouco de imaginação, a que não sabemos dizer não. Infância, pelo menos a minha, cheira a bolo de iogurte, bolo de nesquik, rosquilhas de azeite, bolo preto, económicos e a maizena.

E, porque a maizena tem-se revelado rainha por esta cozinha, este post é dedicado à fiel companheira de muitas pessoas. Ela engrossa molhos, faz bolos deliciosos, biscoitos, e, claro, a tão simples e sempre boa, Papa Maizena.

Se, no meu tempo, era servida branca e adocicada, e, polvilhada com canela, nos tempos modernos ela pode mudar de cor. Basta juntar um pouco de chocolate em pó da vossa preferência e canela em pó. Canela e chocolate formam uma dupla, em minha opinião, imbatível. Deixar engrossar até obter a consistência desejada. Arrefece. Serve-se com chantily e canela em pó.

A partir de agora abro a porta aos clássicos da minha infância, e, que, irão aparecer de vez em quando. Quem tiver ideias para partilhar sinta-se à vontade para o fazer.

Minestrone

A primeira vez que ouvi a palavra Minestrone e vi o que de facto era foi num dos programas do Masterchef Austrália. Gostei do que vi mas não conseguia perceber aquele nome para uma sopa. À procura de respostas mais detalhadas sobre o assunto leio o seguinte:

A minestrone (italiano: minestra (sopa) + -one (sufixo aumentativo), portanto “sopão” ou “sopa com vários ingredientes”) é uma sopa italiana muito espessa, composta por uma grande variedade de legumes cortados e, quase sempre, arroz ou macarrão. Os ingredientes mais usados são: tomates, feijões, cebolas, cenouras, aipo, toucinho, caldo de galinha, de carne, etc. Não existe uma receita específica para o minestrone justamente por ele ser feito com quaisquer legumes estejam em época. O minestrone pode ser vegetariano, conter carne, ou conter algum caldo à base de carne (como caldo de galinha ou “cubinhos” de carne).

E como o Natal é quando o homem quiser a minestrone é como me apetecer. Ovolactovegetariana, grande palavrão. Tudo isto para resumir que dois tipos de couve cozidas com cenoura e uns ovos adicionados em fio são uma excelente refeição.

Café Preto

Café Preto dizia Ela. Num ritual sempre igual, lembro-me de olhar para o fogão sempre vestido de um branco que feria os olhos. Sempre achei piada à imagem da marca do fogão, uma cenoura, se não me falha a memória era Junex. Os bicos, de cobre, reluziam de tão esfregados que eram. O truque, vinagre dizia a minha Avó.  Não raras vezes ia ao sóto – para quem não conhece o calão, é um termo usado pelos transmontamos para dizerem mercearia – buscar café. O cheiro era tão característico que se fechar os olhos quase o consigo sentir. Havia bacalhau pendurado e rebuçados Bayard em grandes frascos de vidro para vender a peso. Havia tanto para contar, mas, fica para outro dia. Hoje é dia de café. O dito cujo vinha em grandes sacas, hoje dirão sacos, e, era moído ali na hora. Não sei bem a magia que se dava naquela cafeteira de esmalte azul e pintas brancas mas foi o melhor café que já bebi. Vi-a a minha avó pegar numa brasa tirada com a tenaz da lareira e colocá-la dentro da cafeteira. Para que fazes isso? – perguntava eu. Ao que ela dizia: é para as borras assentarem no fundo. Assim era, e, assim foi durante muito tempo. Um bom pequeno almoço, era para mim, uma boa caneca de café com leite e torradas banhadas em Pastora ou Planta, altas e grossas como nunca vi. O pão, esse, vinha da aldeia trazido pelo avó. E, porque Fevereiro é mês de memórias feitas de ternura dedico este post à minha Avó. Sei que não o vais ler, por dois motivos, já partiste e não sabias ler. Escrevo por ti e por mim. Para sempre e com Saudades.

P.S. Não gosto do café puro dos cafés. Não saio para beber café. Não peço galões nem meias de leite. Gosto sim de um bom café com leite feito em casa. Desde que descobri o Nescafé Espresso 100% Arábica Intenso e Cremoso que passei a beber café com leite regularmente. Infelizmente, não vou receber nada pela publicidade, mas, isso é o menos. Para quem gosta de um bom café cremoso aconselho vivamente. Tão simples quanto adicionar água ou leite quente e a espuma nasce como que por magia. Encontram-no à venda no hipermercado e custa entre 4 a 5€.

Conceitos e Ideias Pré-Concebidas

Uma das primeiras explicações da disciplina de Psicologia foi perceber o que eram Conceitos e Preconceitos. Se o primeiro é aquilo que a mente concebe ou entende: uma ideia ou noção, representação geral e abstracta de uma realidade o segundo é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude “discriminatória” perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”.

O termo que define “comida rápida”, também conhecida como fast food, mais um estrangeirismo por nós adoptado, deve em minha opinião ser repensado. É no fundo um conceito com preconceito. Fast Food é comida rápida e que engorda, rica em hidratos de carbono e açúcares.

Comida rápida pode muito bem ser um prato de esparguete al dente com camarões salteados. Fast food  não tem necessariamente que ser má. Como sempre, e em tudo, o equilíbrio deve fazer parte da nossa alimentação. Por isso não vejo nada de mal em fazer pão de hambúrguer que fica pronto em cerca de 45m e enquanto isso grelho um hambúrguer. É, sem dúvida, mais barato e ecológico que ir comer um fora, com pouca qualidade e apetrechado de açúcar.

Gosto deste pão, diferente daquele que há muito não como, não se cola ao céu da boca. Fica macio e com uma capa levemente crocante.

Ingredientes: 120ml de água, 10gr de leite em pó, pitada de sal fino, 15ml de óleo, 1ogr de açúcar, 210gr de farinha T65, 5gr de fermento seco.

Colocar tudo pela ordem acima na máquina do pão e escolher o programa que amassa. Deixar repousar cerca de 20m na cuba. Findo o tempo retirar e moldar 4 bolas com cerca de 90gr. Espalmar ligeiramente e deixar levedar 15m no forno a 50ºC. Retirar e pincelar com um pouco de leite e polvilhar com sementes a gosto.

Voltam ao forno a 200ºC até estarem dourados. Deixar arrefecer numa rede.

Regresso

Depois de muito ponderar resolvi regressar. Prescisava de fazer uma pausa, aquilo a que chamo recolhimento social, por aqui e por outros sítios.

Há dias assistia a um episódio do National Geographic em que um homem quis atravessar o deserto sozinho. Esteve desaparecido e chegaram a pensar que estaria morto. O que o motivou a embarcar nesta aventura foi querer estar sozinho consigo, precisava de fazer esta viagem.

Confesso, que, ao ouvi-lo falar só pensava no livro do Nicholas Sparks, Viagem Espiritual. Um livro que conta a viagem de um pequeno rapaz, e, que, ao longo da viagem cresce e aprende.

Digamos que estive no meu deserto. Pensei muito, divaguei muito, tracei objectivos, e, mudei, para melhor espero eu.

Mantive o blogue mas mudei-lhe o nome e o endereço, como há muito desejava.

A partir de agora estarei por aqui, devagar, devagarinho, num regresso quase silencioso. A porta está oficilamente aberta.