20 anos depois…

Venho sem receita na bagagem. Na mala, apenas trago a lembrança de um tempo perdido e agora recuperado pelo sabor da Língua de Vaca Estufada. Faz parte da minha memória de sabores. Devem ter passado 20 anos desde a última vez que a comi. Na altura muito se falava da doença das vacas loucas e por isso deixou de se comer. Nada como o gostinho de uma bela fatia de língua de vaca e um puré de batata a acompanhar. Partilhei-a cá por casa, e, tal como eu, foi muito apreciada e repetida. Penso muito naquela frase de que “uma fotografia vale mais que mil palavras” . Sim vale. Mas o espólio de cheiros e sabores que carregamos connosco valem mais que muitas fotografias, fazem-nos viver e sorrir a cada garfada. Só faltam as fotos das barrigas satisfeitas.

Aprendi com a minha mãe e tirar-lhe a pele no bico do fogão passando a língua de forma uniforme até a pele começar a estalar e depois é facilmente raspada com a ajuda de uma faca. No talho ensinaram-me um truque que desconhecia. Colocar na panela de pressão, fechar e assim que apitar retirar e língua para fora. A pele estará grossa e será fácil de tirar. Dito e feito. Muito fácil de tirar e sem o cheiro a queimado. O resto todos sabem. Façam um refogado do vosso agrado e temperem com o que mais apetecer, eu, particularmente gosto de colocar uma pitada de noz moscada moída, liga muito bem com este tipo de estufado. Depois é só ir buscar a panela de pressão e ela faz o resto do trabalho. A carne é macia e muito tenra, perfeita para os mais pequenos.

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8 thoughts on “20 anos depois…

  1. Também me trazem memórias. A minha mãe fazia muito. Nunca fiz na minha casa e tenho a impressão que lá por casa só enganava o mais pequeno. Com a tua foto e as tuas palavras, consegui reproduzir aqui o cheirinho. Só faltava mesmo a fotos das barriguinhas todas contentes. Adorei este texto, sempre com humor. Pelo menos é assim que o leio. beijocas

  2. Tb me traz memórias, infelizmente nada parecidas com as tuas. Mesmo qd comia carne era coisa que n apreciava. Qd chegava a casa e ouvia a panela de pressão já sabia que era dia de língua, ou outra “especialidade” da minha mãe que eu detestava – sopa de feijão e couve 😦

    beijinhos

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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