Sabor com Estória da Bisavó

Um prato pobre mas cheio de sabores simples. Um caldo de ovo que a minha bisavó fazia, e, que, ainda hoje o como e me sabe sempre a infância, a estórias de quem viveu até perto dos 100 anos, de quem viajou nos loucos anos 20 para a América.

Comer um simples prato de caldo é lembrar uma senhora pequenina, muito magra, de olhos bem azuis e de cabelo grisalho. É lembrar o coelho que era feito com o lenço e eu nunca soube como ele saltava, é lembrar pacotes de bolachas que eram comidos às escondidas pelas duas, é lembrar a confiança que alguém já bem crescido deposita numa criança com 8 anos e confiar-lhe segredos.

Sentir o aroma que exala deste simples prato é viajar no tempo. No tempo da praia em Leça, das cabanas típicas de riscas azuis e brancas, é lembrar de uma criança afoita que pega numa senhora de 80 anos e a leva para lá da ponte móvel que separa Matosinhos de Leça, é recordar o chá de limão e o bolo de arroz no café da esquina.

Comer este caldo de ovo será sempre uma doce lembrança de alguém que partiu, para mim era cedo demais, e, deixou para trás a capacidade de ser recordada pela minha vida fora na simplicidade deste prato.

A simplicidade reside no facto de se colocar água a ferver com um pouco de sal, azeite e alhos. Com um garfo batem-se os ovos e assim que a água ferver colocam lá dentro mexendo sempre. Irão ficar pequenos fios de ovos mas é mesmo assim. Adicionar o pão e mexer um pouco até que fique macio.

Olhando para o pouco que tenho aprendido eu diria que é uma versão pobre da açorda mas ainda assim muito boa, que, aconchega o estômago, a alma e aviva memórias.

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4 thoughts on “Sabor com Estória da Bisavó

  1. Também conheço essa praia. Faz parte das memórias da minha infância. Se calhar até cruzamos uma com a outra…:)
    Gostei muito deste prato tão simples mas que te trás tão boas recordações, ao ler a tua história lembrei-me da minha avó materna que era para mim como a tua foi para ti.
    Recordar é viver!

    Beijinhos da Formiguinha

  2. Olá, gostei tanto de te ouvir…sabes que consegui viajar no tempo? Sim, até senti o sabor desse caldo!
    Tal como tu, tenho imensas recordações da minha avó materna.
    Beijinhos.

  3. Li e emocionei-me…acho que o melhor que temos é poder recordar momentos únicos passados com quem amamos, através de um aroma, um sabor ou imagem…e podermos lembrar sempre que queremos, é só ir à “gavetinha” das recordações…
    Este caldinho deve ser delicioso e reconfortante.

    Beijinhos e obrigada pela partilha

Sempre que Apetecer, Sem Compromissos. Até já.

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